Vale a pena abrir mão de uma joia da base por quase R$ 60 milhões?
Essa é a pergunta que divide a torcida do Flamengo após a confirmação da venda de Ryan Roberto para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Considerado uma das principais promessas das categorias de base rubro-negras, o atacante de apenas 18 anos deixará o Ninho do Urubu sem sequer ter recebido uma sequência real entre os profissionais.
O negócio foi fechado em 10 milhões de euros (cerca de R$ 58,7 milhões), com o Flamengo mantendo 10% de uma futura venda. A diretoria entendeu que a operação era a melhor alternativa diante da dificuldade para renovar o contrato do atleta, que tinha vínculo apenas até março de 2027.
Embora muitos torcedores lamentem a saída precoce de mais uma promessa, o clube conseguiu transformar um possível problema contratual em uma importante entrada de recursos para os cofres rubro-negros.
Por que o Flamengo decidiu vender?
Nos bastidores, a diretoria tentou por diversas vezes ampliar o contrato do atacante. A proposta incluía vínculo até 2030 e salários compatíveis com o elenco profissional.
Entretanto, o estafe do jogador buscava algo que o Flamengo não poderia garantir: minutos em campo no time principal de Leonardo Jardim.
Sem acordo para renovação e com o risco crescente de perder o atleta futuramente por um valor menor ou até sem compensação significativa, a direção optou por aceitar a proposta do Shakhtar.
A decisão segue uma lógica que vem sendo adotada pelos grandes clubes brasileiros: negociar jovens ativos antes que a situação contratual diminua seu valor de mercado.
Caso lembra saída de Lorran e outras joias observadas pela Europa
A situação de Ryan Roberto faz muitos torcedores lembrarem de outros talentos da base que despertaram enorme expectativa antes mesmo de se consolidarem no profissional.
Um caso semelhante ocorreu recentemente com Lorran, que também atraiu forte interesse europeu ainda muito jovem e viveu uma trajetória cercada por expectativas sobre quando receberia oportunidades consistentes no time principal.
Mais atrás, o Flamengo viu jovens como Vinícius Júnior, Reinier e Matheus França serem negociados antes de atingirem o auge esportivo vestindo a camisa rubro-negra. A diferença é que esses atletas tiveram maior exposição e acumularam minutos importantes entre os profissionais antes das transferências.
O caso de Ryan é diferente porque sua saída acontece praticamente sem que a torcida pudesse avaliar seu potencial no time principal.
Como a saída afeta o Flamengo de Leonardo Jardim?
No curto prazo, o impacto esportivo é pequeno.
Ryan Roberto ainda estava em processo de transição entre a base e o profissional e não fazia parte da rotação principal de Leonardo Jardim. Por isso, a saída não altera significativamente o planejamento para o restante da temporada.
Por outro lado, o negócio abre espaço para que outras promessas do Ninho do Urubu recebam atenção especial da comissão técnica.
Além disso, a negociação reforça uma característica importante da gestão atual: a necessidade de equilibrar competitividade esportiva e sustentabilidade financeira.
A grande discussão fica para o futuro. Se Ryan explodir na Europa, inevitavelmente surgirão questionamentos sobre a falta de oportunidades concedidas ao jogador no Flamengo.
O impacto financeiro para os cofres rubro-negros
Financeiramente, a venda é vista como bastante positiva.
Os cerca de R$ 58,7 milhões representam uma receita importante para o orçamento de 2026 e ajudam o clube a manter suas metas de arrecadação com transferências.
Outro ponto relevante é a manutenção de 10% dos direitos econômicos em uma futura negociação.
Considerando o histórico do Shakhtar em desenvolver jogadores brasileiros e revendê-los para centros mais ricos da Europa, existe uma possibilidade real de o Flamengo voltar a lucrar com Ryan nos próximos anos.
Em um cenário de valorização, essa cláusula pode render milhões adicionais ao clube sem qualquer investimento futuro.
Como a torcida está reagindo?
Nas redes sociais, a reação é dividida.
Uma parte da torcida entende que o Flamengo fez o que precisava ser feito diante da resistência para renovar o contrato. Para esses torcedores, receber quase R$ 60 milhões por um atleta com apenas dois jogos no profissional representa um excelente negócio.
Já outro grupo demonstra frustração. Muitos acreditam que o clube deveria ter criado um plano para acelerar a integração do atacante ao elenco principal, evitando que mais uma promessa deixasse o Ninho antes de mostrar seu verdadeiro potencial.
Também há quem enxergue o episódio como um reflexo da dificuldade dos clubes brasileiros em competir com o poder financeiro e o projeto esportivo oferecido pelos mercados europeus.
Opinião do NF: vender era necessário, mas o Flamengo precisa aproveitar melhor suas joias
Vejo essa negociação com uma mistura de compreensão e incômodo.
Compreensão porque a diretoria não podia correr o risco de perder um ativo valioso sem retorno financeiro adequado. O futebol moderno exige responsabilidade administrativa, e quase R$ 60 milhões por um jogador que praticamente não atuou no profissional não é um valor desprezível.
Mas existe também o incômodo de ver mais uma promessa partir antes de criar identidade com a torcida. O Flamengo investe pesado na base, revela talentos constantemente e precisa encontrar maneiras de integrar esses atletas mais rapidamente ao elenco principal.
A sensação é parecida com comprar um videogame novo e nunca tirar da caixa: você sabe que ele tem potencial, mas acaba vendendo antes de descobrir tudo o que poderia oferecer.
Agora, resta acompanhar o desenvolvimento de Ryan Roberto na Europa e torcer para que aqueles 10% de uma futura venda se transformem em mais uma grande receita para o clube.
E você, torcedor: o Flamengo fez bem em vender Ryan Roberto por quase R$ 60 milhões ou deveria ter insistido mais para manter a joia da base no elenco principal?
