Samuel Lino mostrou que pode ser muito mais do que um ponta de velocidade. Em uma noite marcada por desfalques, improvisações e dúvidas antes da bola rolar, o camisa 16 assumiu uma função completamente diferente e comandou o Flamengo na vitória por 3 a 0 sobre o Coritiba. E talvez a maior notícia da partida não tenha sido o placar, mas sim a descoberta de uma nova arma para o time de Leonardo Jardim.
Com dez desfalques antes mesmo do início do jogo e ainda perdendo Léo Ortiz por lesão durante a partida, o cenário parecia complicado. Mas o treinador português decidiu fugir do roteiro mais previsível. Em vez de posicionar Samuel Lino aberto pela esquerda formando dupla ofensiva com Pedro e Bruno Henrique, Jardim trouxe o jogador para atuar por dentro, como meia central, em um esquema 4-2-3-1.
A mudança surpreendeu o Coritiba e transformou completamente a dinâmica ofensiva do Flamengo.
A grande sacada de Leonardo Jardim
Desde os primeiros minutos, o Flamengo mostrou controle da partida. Mesmo antes da expulsão de Pedro Rocha, que deixou o Coritiba com um jogador a menos, o Rubro-Negro já dominava as ações.
O primeiro gol nasceu justamente da movimentação que Leonardo Jardim desenhou para Samuel Lino. Atuando entre as linhas, o jogador encontrava espaços para receber, acelerar e conectar os setores ofensivos. Foi assim que apareceu para completar a linda assistência de letra de Pedro e abrir o placar.
A partir dali, o Flamengo passou a encontrar espaços com facilidade. Lino não ficava preso a uma faixa do campo. Circulava pelos dois lados, aproximava-se dos laterais, aparecia entre os volantes adversários e criava constantes triangulações.
O resultado foi um Coritiba perdido na marcação e um Flamengo extremamente confortável para construir suas jogadas.
Samuel Lino foi meia em outros clubes?
A função chamou atenção porque não é exatamente a posição pela qual Samuel Lino ficou conhecido durante sua carreira. O brasileiro construiu sua trajetória atuando principalmente como ponta esquerda, ala e jogador aberto pelos corredores.
Entretanto, registros recentes mostram que ele já teve experiências em funções mais centralizadas. Plataformas de análise de desempenho apontam partidas exercendo funções de meia-atacante e até de meio-campista central ao longo de sua trajetória profissional.
Mesmo assim, a atuação diante do Coritiba foi provavelmente a experiência mais clara e relevante de Samuel Lino exercendo o papel de organizador central em uma equipe de alto nível competitivo. O jogador não apenas ocupou o setor, mas foi o principal responsável pela criação ofensiva do Flamengo durante toda a partida.
Por isso, a atuação pode representar um novo capítulo na carreira do camisa 16.
Como isso afeta o Flamengo de Leonardo Jardim?
A resposta é simples: amplia o leque de possibilidades do treinador.
O Flamengo possui diversos jogadores capazes de atuar pelos lados do campo. Bruno Henrique, Luiz Araújo, Plata, Cebolinha e outros nomes oferecem profundidade e velocidade. Já pelo centro, principalmente em momentos de lesões ou ausências, as opções ficam mais limitadas.
Ao descobrir que Samuel Lino consegue atuar entre as linhas com qualidade, Leonardo Jardim ganha uma alternativa valiosa para diferentes cenários da temporada.
Além disso, a movimentação do camisa 16 favorece diretamente Pedro. O centroavante passou a receber mais bolas em condições de finalizar porque Lino atraía marcadores e criava espaços na entrada da área.
Outro ponto importante foi a intensidade na pressão pós-perda. Atuando por dentro, Samuel Lino participou ativamente da recuperação da posse, algo que ajudou o Flamengo a sufocar o adversário durante boa parte do confronto.
A força coletiva também apareceu
Embora Samuel Lino tenha sido o grande destaque, o Flamengo também apresentou sinais positivos coletivamente.
João Victor entrou em uma situação complicada após a saída de Léo Ortiz e conseguiu cumprir sua função com segurança. Wallace Yan e Joshua receberam minutos importantes, mostrando que Leonardo Jardim continua observando as opções da base.
O time demonstrou maturidade para controlar a partida, acelerar quando necessário e administrar a vantagem sem grandes sustos.
Opinião do NF: Jardim enxergou algo que muita gente não viu
Confesso que, quando vi a escalação inicial, imaginei Samuel Lino aberto pela esquerda como praticamente todo mundo. Afinal, foi assim que ele construiu sua carreira e se destacou na Europa.
Mas Leonardo Jardim enxergou uma possibilidade diferente. E deu certo.
O mais interessante é que essa mudança não parece improviso de quem está desesperado por causa dos desfalques. Pareceu ideia de treinador que estudou características, observou movimentos e encontrou uma nova função para um jogador talentoso.
E cá entre nós: se Samuel Lino continuar jogando desse jeito por dentro, muita gente vai começar a esquecer aquela velha discussão sobre onde ele rende mais.
Talvez a pergunta correta agora seja outra: quantos problemas ele consegue resolver para o Flamengo atuando em posições diferentes?
Porque jogador inteligente é assim. Quando o técnico muda a peça e o futebol continua aparecendo, normalmente estamos falando de atleta diferenciado.
E você, acha que Samuel Lino deve continuar sendo utilizado como meia central por Leonardo Jardim ou seu melhor futebol ainda está na ponta esquerda?

