O Flamengo chega à pausa da Copa do Mundo com muito mais motivos para comemorar do que para lamentar. Depois da convincente vitória por 3 a 0 sobre o Coritiba no Maracanã, Leonardo Jardim concedeu uma entrevista coletiva repleta de análises, reflexões e revelações sobre o momento rubro-negro. O treinador português falou sobre o desempenho da equipe, a presença de Jorge Jesus, a valorização da base, o mercado de transferências e até sobre sua maneira peculiar de lidar com derrotas.
Mais do que os três pontos, a coletiva mostrou um treinador seguro de suas ideias e disposto a construir um Flamengo competitivo para a sequência da temporada.
"Foi um jogo completamente dominado pelo Flamengo"
Ao analisar a vitória, Leonardo Jardim não escondeu sua satisfação com o desempenho da equipe.
"Foi um jogo completamente dominado pelo Flamengo. No 11 x 11 o Coritiba já tinha dificuldade, até na transição, algo que eles dominam."
O treinador destacou a capacidade da equipe em neutralizar os pontos fortes do adversário e impor seu estilo de jogo durante os 90 minutos.
Samuel Lino recebe elogios especiais
Outro tema abordado foi a atuação de Samuel Lino, um dos destaques da partida.
"Samuel Lino foi quase um segundo atacante. Ele tem essas características. Agradeço a ele pelos dois gols, foi uma mensagem positiva."
Jorge Jesus continua sendo um amigo
Naturalmente, a presença de Jorge Jesus no Maracanã foi assunto obrigatório.
"Uma coisa é o futebol, outra é a nossa relação. O Jesus em 2020 quando saiu me telefonou para vir para cá. Ele acreditava que eu era boa solução para o Flamengo."
O balanço da primeira parte da temporada
Leonardo Jardim também fez uma avaliação geral da campanha rubro-negra.
"Conseguimos ganhar o Carioca, fizemos uma boa campanha na Libertadores. Em termos do campeonato, queríamos ter mais pontos."
Base
"Eu como treinador tenho sempre esse registro na carreira, que é dar
atenção aos jovens da base. Aqui com jogos a cada três dias não demos
atenção em termos de jogos, mas demos em termos de análise do que
fizeram no sub-20. O João tem jogado muito no sub-20 e ano passado
treinou no principal. Hoje tinha duas opções, entrar o Saul e colocar
um volante para trás, ou acreditar e colocar um jovem. Eu não gosto de
mudar posições, ele está aqui e tenho que acreditar nele. Eu disse:
'João, você sabe as regras, tem que jogar seu futebol'. Acho que ele
fez um bom jogo e não por acaso é um dos melhores zagueiros jovens do
futebol brasileiro. Espero que seja um primeiro passo para no futuro
jogar mais em bem. Essa é a minha orientação."
"Eu como treinador tenho sempre esse registro na carreira, que é dar atenção aos jovens da base. Aqui com jogos a cada três dias não demos atenção em termos de jogos, mas demos em termos de análise do que fizeram no sub-20. O João tem jogado muito no sub-20 e ano passado treinou no principal. Hoje tinha duas opções, entrar o Saul e colocar um volante para trás, ou acreditar e colocar um jovem. Eu não gosto de mudar posições, ele está aqui e tenho que acreditar nele. Eu disse: 'João, você sabe as regras, tem que jogar seu futebol'. Acho que ele fez um bom jogo e não por acaso é um dos melhores zagueiros jovens do futebol brasileiro. Espero que seja um primeiro passo para no futuro jogar mais em bem. Essa é a minha orientação."
Sorteio da Libertadores
O técnico reconhece a dificuldade do confronto, mas demonstra confiança. Ao mesmo tempo, mostra preocupação com os efeitos da Copa do Mundo, já que o retorno dos convocados pode influenciar diretamente o planejamento para as oitavas da Libertadores.
"O sorteio foi contra uma das equipes que tem também um objetivo sorte na Libertadores. Reforçou esse ano e já vem construída de um ano para o outro. Sabemos que vai se rum jogo intenso na ida e na volta. Nós vamos ter o objetivo de vencê-los. Sabendo que a decisão vai ser aqui no Maracanã. Procurar fazer um bom jogo no Mineirão primeiro. Uma coisa que vai na minha cabeça neste momento é preparar para os jogos de entrada, porque ainda não sabemos quais jogadores vamos ter. Porque não se sabe quando as equipes da Copa vão ser eliminadas, se os jogadores vêm saudáveis ou não, se vêm de folga, se vão ter férias. Essa parte é o meu foco neste momento. Depois darei atenção a esse jogo. Cada coisa em seu momento."
Mercado
Jardim admite que o elenco ainda possui carências, especialmente na criação
de jogadas. O treinador deixa claro que o Flamengo buscará reforços pontuais
e que a prioridade é contratar atletas capazes de elevar o nível técnico da
equipe.
"Uma medida importante é saber quanto teremos para investir. Temos
necessidades, mas vamos ver o que o dinheiro será suficiente para
buscar. Com essa diretriz, vamos reforçar a equipe com mais qualidade.
Não vamos trocar por trocar. Vamos trazer jogadores que consigam
acrescentar. Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às
vezes, o Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente. O Boto
está a trabalhar essa situação. De resto, temos que ver posição por
posição e colocar mais qualidade."
"Uma medida importante é saber quanto teremos para investir. Temos necessidades, mas vamos ver o que o dinheiro será suficiente para buscar. Com essa diretriz, vamos reforçar a equipe com mais qualidade. Não vamos trocar por trocar. Vamos trazer jogadores que consigam acrescentar. Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, o Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente. O Boto está a trabalhar essa situação. De resto, temos que ver posição por posição e colocar mais qualidade."
Posicionamento de Samuel Lino
O treinador detalha a estratégia utilizada para potencializar Samuel Lino. A ideia era aproximá-lo de Pedro e explorar os espaços deixados pela defesa adversária. O plano funcionou perfeitamente e foi decisivo para a vitória.
"A nossa opção em termos de decisão do meio foi por um jogador que
casasse bem com o Pedro. O Pedro infiltrou bastante e o Lino entrou, o
Luiz (Araújo) flutuou e o Royal entrou... Era uma dinâmica que queríamos
proporcionar, porque os volantes do Coritiba poderiam pressionar e nos
incomodar entrelinhas. Conseguimos essas boas dinâmicas, que aumentaram
depois da expulsão (do Pedro Rocha, do Coritiba). O Lino é um jogador
com essas características. Se vocês repararem, o Arrasca também faz
esses movimentos às voltas do atacante. É importante que esse meia crie
espaços não só na frente da linha defensiva, mas também por trás. Foi o
que pedi a ele e foi o que aconteceu."
"A nossa opção em termos de decisão do meio foi por um jogador que casasse bem com o Pedro. O Pedro infiltrou bastante e o Lino entrou, o Luiz (Araújo) flutuou e o Royal entrou... Era uma dinâmica que queríamos proporcionar, porque os volantes do Coritiba poderiam pressionar e nos incomodar entrelinhas. Conseguimos essas boas dinâmicas, que aumentaram depois da expulsão (do Pedro Rocha, do Coritiba). O Lino é um jogador com essas características. Se vocês repararem, o Arrasca também faz esses movimentos às voltas do atacante. É importante que esse meia crie espaços não só na frente da linha defensiva, mas também por trás. Foi o que pedi a ele e foi o que aconteceu."
Tranquilidade no comportamento
Jardim revela um lado mais humano e experiente. Ele explica que evita
decisões impulsivas e prefere agir com equilíbrio. A curiosa história do
"dia de luto" mostra como ele processa derrotas antes de voltar ao trabalho
com a cabeça fria.
"Acho que a idade me permite criar maturidade. São muitos anos
treinando jogadores em vários clubes. Controlo a emoção, não do jogo
que eu vivo, mas de decidir na loucura. O que é muito bom hoje, amanhã
é muito ruim. Essa maturidade, 30 anos de carreira, me permitem olhar
para as coisas com melhor equilíbrio. Mesmo em termos pessoais.
Costumo a dizer quem trabalha comigo que eu tiro um dia de luto quando
o time não ganha. No dia seguinte, não falem comigo porque é meu dia
de luto. Esse dia serve para que no dia seguinte eu tenha energia para
dar a quem trabalha comigo. Essa é a minha ideia. Um clima positivo
ajuda o trabalho de todo mundo. Claro que sou exigente e rigoroso, mas
de uma forma que tem que ser educado e de fazer as pessoas entenderem
o que é profissionalismo. Profissionalismo não é gritar, falar alto. É
fazer o nosso melhor a cada dia e momento. É isso que eu peço aos meus
jogadores e a quem trabalha comigo. Talvez seja a idade que me permite
esta abordagem às coisas de forma menos emocional. Com certeza fico
triste quando perco, você vê no último dia. Às vezes temos que chamar
as coisas pelos nomes, mas não gosto de estar fora de mim em termos
emocionais. Quando você sai do equilíbrio, diz besteiras que no dia
seguinte vai se arrepender."
"Acho que a idade me permite criar maturidade. São muitos anos treinando jogadores em vários clubes. Controlo a emoção, não do jogo que eu vivo, mas de decidir na loucura. O que é muito bom hoje, amanhã é muito ruim. Essa maturidade, 30 anos de carreira, me permitem olhar para as coisas com melhor equilíbrio. Mesmo em termos pessoais. Costumo a dizer quem trabalha comigo que eu tiro um dia de luto quando o time não ganha. No dia seguinte, não falem comigo porque é meu dia de luto. Esse dia serve para que no dia seguinte eu tenha energia para dar a quem trabalha comigo. Essa é a minha ideia. Um clima positivo ajuda o trabalho de todo mundo. Claro que sou exigente e rigoroso, mas de uma forma que tem que ser educado e de fazer as pessoas entenderem o que é profissionalismo. Profissionalismo não é gritar, falar alto. É fazer o nosso melhor a cada dia e momento. É isso que eu peço aos meus jogadores e a quem trabalha comigo. Talvez seja a idade que me permite esta abordagem às coisas de forma menos emocional. Com certeza fico triste quando perco, você vê no último dia. Às vezes temos que chamar as coisas pelos nomes, mas não gosto de estar fora de mim em termos emocionais. Quando você sai do equilíbrio, diz besteiras que no dia seguinte vai se arrepender."
Estratégia para o jogo
O treinador reforça sua filosofia de jogo. O Flamengo de Jardim busca
pressionar alto, recuperar a bola rapidamente e impedir que o adversário
tenha conforto para jogar. Na visão dele, o elenco está assimilando cada vez
mais essa ideia.
"A estratégia foi a mesma do que há três dias ou há seis dias: não
deixar jogar. Na nossa casa, temos que nos impor, não podemos dar
confiança ao adversário. Criamos muitas chances, como criamos contra o
Cusco e contra o Palmeiras quando estava 11 contra 11. Roubamos bolas na
saída deles, poderíamos ter feito mais gols por detalhes. Acredito que
os jogadores estão se esforçando para criar, para recuperar a bola como
equipe. Quando cheguei, diziam que tinham jogadores que não
pressionavam. Nossos jogadores pressionam, e isso é importante. Somos
uma equipe grande, não podemos deixar a equipe adversária pensar. Os
jogadores estão entendendo esse pensamento."
"A estratégia foi a mesma do que há três dias ou há seis dias: não deixar jogar. Na nossa casa, temos que nos impor, não podemos dar confiança ao adversário. Criamos muitas chances, como criamos contra o Cusco e contra o Palmeiras quando estava 11 contra 11. Roubamos bolas na saída deles, poderíamos ter feito mais gols por detalhes. Acredito que os jogadores estão se esforçando para criar, para recuperar a bola como equipe. Quando cheguei, diziam que tinham jogadores que não pressionavam. Nossos jogadores pressionam, e isso é importante. Somos uma equipe grande, não podemos deixar a equipe adversária pensar. Os jogadores estão entendendo esse pensamento."
Perfil de um novo atacante para o Flamengo
Jardim indica qual seria o perfil ideal para reforçar o ataque. Ele procura
um jogador versátil, capaz de atuar entre as características de Pedro e
Bruno Henrique, oferecendo alternativas táticas ao elenco.
"Se tivesse que escolher um atacante para a equipe, se essa fosse a
prioridade, eu iria escolher um meio a meio entre Pedro e Bruno, para
ficar com três soluções dentro da estrutura. É um pouco o que o Lino faz
também. Foi muito bom esse jogo, para percebemos que temos mais uma
solução como meia avançado ou segundo atacante. Nosso lado esquerdo está
sobrecarregado, temos muita gente que gosta de jogar daquele lado. No
lado direito temos menos gente. Gosto de um plantel equilibrado. Se eu
tivesse que escolher, teria três atacantes diferentes. Não quero um
igual ao Pedro ou igual ao Bruno, porque já temos ele."
"Se tivesse que escolher um atacante para a equipe, se essa fosse a prioridade, eu iria escolher um meio a meio entre Pedro e Bruno, para ficar com três soluções dentro da estrutura. É um pouco o que o Lino faz também. Foi muito bom esse jogo, para percebemos que temos mais uma solução como meia avançado ou segundo atacante. Nosso lado esquerdo está sobrecarregado, temos muita gente que gosta de jogar daquele lado. No lado direito temos menos gente. Gosto de um plantel equilibrado. Se eu tivesse que escolher, teria três atacantes diferentes. Não quero um igual ao Pedro ou igual ao Bruno, porque já temos ele."
Recuperação de Lino e Plata
O português explica como ajustes táticos e disciplinares ajudaram na
evolução dos dois atletas. Segundo ele, o segredo foi colocar cada jogador
em funções mais adequadas às suas características.
"Quando eu falava do casamento entre dois jogadores, que cada um tem
sua característica, eram Lino e Pedro por exemplo. Como treinador, tenho
que observar, saber as características e conseguir colocá-los em um bom
ambiente para desenvolvê-las melhor. Lino e Plata, por motivos
diferentes, por vezes não estavam no melhor habitat para desenvolver
suas características. O Plata por estar saindo fora daquilo que eram as
regras da equipe. Em um primeiro período ele ficou de fora e depois
começou a fazer aquilo que a gente queria. Por isso seu crescimento. E o
Lino porque deixou de jogar em cima da linha e a se envolver em outros
movimentos que gosta, de atacar espaço de buscar. Isso permitiu a
evolução dentro do seu habitat natural. Não é o treinador que é
importante na performance dos jogadores. Eles que tem capacidade de
perceber as ideias e se colocar no melhor nível. E foi isso que
aconteceu tanto com o Plata quanto o Lino."
"Quando eu falava do casamento entre dois jogadores, que cada um tem sua característica, eram Lino e Pedro por exemplo. Como treinador, tenho que observar, saber as características e conseguir colocá-los em um bom ambiente para desenvolvê-las melhor. Lino e Plata, por motivos diferentes, por vezes não estavam no melhor habitat para desenvolver suas características. O Plata por estar saindo fora daquilo que eram as regras da equipe. Em um primeiro período ele ficou de fora e depois começou a fazer aquilo que a gente queria. Por isso seu crescimento. E o Lino porque deixou de jogar em cima da linha e a se envolver em outros movimentos que gosta, de atacar espaço de buscar. Isso permitiu a evolução dentro do seu habitat natural. Não é o treinador que é importante na performance dos jogadores. Eles que tem capacidade de perceber as ideias e se colocar no melhor nível. E foi isso que aconteceu tanto com o Plata quanto o Lino."
Flamengo vai buscar jogadores mais jovens?
Jardim demonstra preocupação com o futuro do elenco. A ideia é buscar
atletas que possam contribuir imediatamente, mas que também tenham condições
de permanecer competitivos por várias temporadas.
"Queremos trazer jogadores que não temos, em termos de características,
ou melhores ou do mesmo nível com mais saúde. Isso vai dentro daquilo
que é o planejamento de todas as grandes equipes. Jogadores que possam
competir por muito tempo, sejam jovens ou não. Para o nosso plantel,
jogadores de 25 anos são jovens. Jogadores que para a médio prazo ou o
futuro próximo. Essa é uma ideia que tenho passado para a direção. Não é
uma ideia da equipe do Jardim, é a ideia de qualquer equipe."
"Queremos trazer jogadores que não temos, em termos de características, ou melhores ou do mesmo nível com mais saúde. Isso vai dentro daquilo que é o planejamento de todas as grandes equipes. Jogadores que possam competir por muito tempo, sejam jovens ou não. Para o nosso plantel, jogadores de 25 anos são jovens. Jogadores que para a médio prazo ou o futuro próximo. Essa é uma ideia que tenho passado para a direção. Não é uma ideia da equipe do Jardim, é a ideia de qualquer equipe."
Flamengo piorou nas bolas paradas?
O treinador admite que a ausência de Arrascaeta afeta diretamente a qualidade das bolas paradas ofensivas. Apesar disso, ele garante que a comissão técnica trabalha constantemente para corrigir e aperfeiçoar esse fundamento.
"Nosso número de bolas paradas não é muito alto. Nosso melhor batedor ofensivo está fora, que é o Arrascaeta. Isso nos cria dificuldades. Não há ninguém comparado ao Arrascaeta em bolas paradas. Há quem bata bem, mas ele bate muito bem. Em termos defensivos, sofremos gols, mas acho que não existem muitas diferenças. Não estou com os dados aqui, posso trazer na próxima entrevista. É uma coisa que trabalhamos todas as semanas."
Opinião: Leonardo Jardim fala pouco, mas quando fala explica muita coisa
A coletiva deixou uma impressão clara.
Leonardo Jardim não é o treinador que costuma criar frases de efeito ou alimentar polêmicas. Seu perfil é mais analítico e racional.
Mas justamente por isso suas respostas ajudam a entender melhor o momento do Flamengo.
Gostei especialmente da sinceridade ao reconhecer falhas no Brasileirão e da confiança demonstrada nos jovens da base.
E confesso que me identifiquei com o famoso "dia de luto". Afinal, qual flamenguista não fica um pouco assim depois de uma derrota importante?
A diferença é que nós reclamamos nas redes sociais. Ele precisa administrar um elenco milionário no dia seguinte.
No fim das contas, o Flamengo chega à pausa da Copa do Mundo vivo nas principais competições, com uma identidade de jogo cada vez mais clara e um treinador que parece saber exatamente onde quer chegar.
