Consultoria entrega 'manual' para base do Flamengo
Formar jogadores de futebol é, por vezes, um conceito muito amplo. Em especial porque, antes de iniciar o processo, há perguntas por responder. Que tipo de jogador se deseja formar? Que tipo de futebol o clube deseja praticar? Dentro do modelo escolhido, que virtudes são essenciais e como treiná-las? Durante 13 meses, a Double Pass, uma empresa de consultoria sediada em Bruxelas, tentou ajudar o Flamengo a achar respostas. O resultado é um documento de 300 páginas que, pretende o clube, será o norteador de todo o trabalho. Da descrição minuciosa de todo o processo de formação, modelos de jogo e de treinos, chega-se ao ponto crucial: a identidade de futebol que o Flamengo pretende assumir na base. Algo que, espera-se, venha a ser replicado nos profissionais.
“Nosso jogo é de imposição na busca incessante pelo gol. Jogamos de forma apoiada e objetiva”, diz o documento. “Quando perdemos a bola pressionamos imediatamente o adversário para recuperá-la. Somos organizados e agressivos para ter a bola independentemente do setor do campo.
Quando retomamos a bola procuramos avançar em direção ao gol adversário.”
Assim é descrito, de forma macro, o modelo de jogo escolhido pelo rubro-negro, posteriormente esmiuçado no documento.
Aponta para a busca de protagonismo, iniciativa, posse de bola. Não necessariamente posses longas, mas uma dose de verticalidade rumo ao gol. Em teoria, algo mais para Jürgen Klopp, do Liverpool, do que o Guardiola do City. O 4-3-3, com suas variações, é estabelecido como sistema tático padrão.
Há uma mudança sensível proposta: que o clube amplie o foco no trabalho individual, no progresso do jogador. O documento propõe que a periodização — ou seja, a programação da semana entre jogos — reveja a distribuição do tempo entre treinos físicos, coletivos e individuais.
Para cada posição, são listadas características desejáveis (veja o infográfico). E metas são estabelecidas para cada um. Para os meia ofensivos, o objetivo é que eles se tornem especialistas em jogar entre linhas adversárias — ou seja, entre os volantes e zagueiros. A partir daí, o manual indica quais treinos aplicar, quem orientará e por quantos dias da semana isso será trabalhado.
Cerca de 150 páginas são dedicadas a descrever exercícios técnicos, táticos, físicos e mentais, com características e cargas distintas de acordo com a faixa etária. Em estágios mais avançados de formação, há exercícios ofensivos, defensivos e do chamado “build up”, ou seja, a construção de jogadas, trabalhando maneiras de fazer a bola passar entre cada um dos três setores do campo, dividido em faixas de pouco mais de 30 metros.
A ambição é que a fábrica rubro-negra funcione a partir de processos e controle. Ontem, o clube elegeu um novo presidente. Resta saber se o tipo de futebol idealizado será o mesmo. Ou se os rumos serão alterados.
Fonte: O Globo
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