Época - Teoricamente, os valores de patrocínios obtidos por clubes de futebol estão ligados aos tamanhos de suas torcidas. Quanto mais torcedores existirem, mais consumidores em potencial estarão ao alcance das empresas. Teoricamente. Num mercado como o brasileiro, em que patrocínios políticos ou torcedores superam os movidos por razões mercadológicas, percebe-se uma enorme discrepância quando se tenta avaliar a “eficiência” dos departamentos comerciais dos times.
Flamengo e Corinthians, donos das maiores torcidas do país segundo a pesquisa do Ibope, têm índices pouco animadores. Os valores não são ruins. Longe disso. Os flamenguistas arrecadaram R$ 66,3 milhões com patrocínios no ano passado, e os paulistas R$ 71,5 milhões. Vale lembrar que uma boa fatia em ambos os casos é estatal – a Caixa destinou R$ 25 milhões aos rubro-negros e R$ 30 milhões aos alvinegros em 2016. A conclusão a que se chega é que, pelo menos perante as imensas torcidas medidas pelo instituto, ambos têm uma performance comercial abaixo do potencial.
Na outra ponta o Palmeiras, patrocinado por torcedores envolvidos na política do clube, caso de Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, ambos donos da Crefisa e conselheiros palmeirenses, tem um índice para lá de positivo. Os R$ 90,7 milhões faturados com patrocínios contrastam com cerca de 12 milhões de pessoas, um terço do que registra o Flamengo no Ibope. Isso dá ao time o melhor desempenho comercial do país. Internacional e Grêmio vêm a seguir com índices próximos ao palmeirense (confira o ranking no infográfico abaixo).
Não leve os números a ferro e a fogo. A medição dos tamanhos das torcidas, seja no Ibope ou em qualquer outro instituto de pesquisa que siga a mesma metodologia, é superficial. Não leva em consideração o nível de engajamento dos torcedores aos clubes que eles dizem torcer quando entrevistados, um fator importante no convencimento de potenciais patrocinadores. Nem é apropriado crer que o futebol deva respeitar apenas questões mercadológicas. Política e torcedorismo fazem parte de qualquer mercado, não só do brasileiro. Mas a lista dá uma ideia de quem tem conseguido valores acima de seu potencial de mercado – e também abaixo.
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