Artilheiro, Vagner Love espera seguir na Turquia, mas admite: "Voltaria ao Fla"



O Artilheiro do Amor continua distribuindo corações mundo afora. Apesar de estar longe dos holofotes desde que saiu do Corinthians, em janeiro de 2016, Vagner Love continua balançando - e muito - as redes adversárias. Só no último fim de semana, por exemplo, foram três gols na vitória por 4 a 2 do Alanyaspor sobre o Kardemir Karabukspor. Ao todo, são 21 gols em 26 jogos, que lhe credenciam como o artilheiro do Campeonato Turco, à frente de nomes como Eto'o e Derdiyok. A campanha não é das melhores - seu time é o 11º de 18 clubes - mas, sua boa fase o permite sonhar com voos mais altos.


- A gente sempre sonha, sempre tem vontade de vestir a camisa da seleção brasileira. Qual jogador que não tem vontade de estar lá, disputando e lutando pelo seu país? Essa vontade sempre fica. A gente sabe que trabalhando, se Deus abençoar, a gente chega lá. Mas, lógico que eu tenho os pés no chão e minha consciência que, se eu estivesse no Brasil, ou em algum centro melhor da Europa, pode ser que eu tivesse uma oportunidade. É um sonho um pouco distante, mas sonhar não custa nada - afirmou Vagner Love ao GloboEsporte.com.

Foi justamente essa vontade de "sonhar grande" que o fez sair do Corinthians. Vice-artilheiro do Brasileirão e em boa fase no clube paulista após um início bastante criticado, Vagner Love teve proposta do Monaco e a chance de atuar no Campeonato Francês. Porém, foi pouco utilizado pelo técnico Leonardo Jardim, atuou em apenas 13 partidas e fez quatro gols. Agora, a melhor opção poderia justamente fazer o caminho contrário e atuar no Brasil para tentar um espaço na seleção de Tite, com quem trabalhou no Corinthians, campeão brasileiro em 2015. E, se pudesse, escolher, no clube de coração.

- Eu acredito que se voltasse para o Brasil hoje ou fosse para qualquer outro lugar, sendo aqui na Turquia ou sendo em qualquer outro lugar do mundo, eu conseguiria jogar em alto nível. Até porque minha condição física é muito boa hoje. Eu tenho mais um ano de contrato aqui. Não recebi proposta de renovação do clube, ainda não recebi sondagem de nenhum clube da Turquia ou de outro lugar (...) Lógico que, por eu ser flamenguista, se fosse para escolher um time para voltar, eu creio que seria o Flamengo, sem dúvida nenhuma.

Confira a entrevista completa com Vagner Love
GloboEsporte.com: Vagner, você vive um grande momento na Turquia, fazendo muitos gols e assumiu a artilharia do Campeonato Turco com 18 gols. Apesar da campanha não muito boa do Alanyaspor, como você vê esse seu momento da carreira?

Vagner Love:Eu estou muito feliz de estar fazendo um bom trabalho aqui no Alanyaspor. Como você mesmo citou, o time não está fazendo uma boa campanha, mas eu tenho feito meu trabalho da melhor maneira possível. Acho que até por isso os gols têm saído e hoje estou na artilharia do campeonato. Fico feliz de estar ajudando o time a se manter na primeira divisão deste ano. Era o objetivo do clube esse ano. Estou feliz de estar contribuindo com os gols.

Como está sua vida na Turquia? Você está há menos de um ano no país. Ainda está se adaptando, fala turco? Conseguiu fazer amizades na equipe?

A vida é muito boa, me surpreendeu muito. Por estar aqui, conhecendo uma nova cultura, está sendo maravilhoso. Eu acho que aqui onde eu vivo, principalmente, é muito parecido com o Rio de Janeiro. A hospitalidade das pessoas, o carinho, o acolhimento que as pessoas têm aqui é muito gostoso, maravilhoso. Estou com minha família aqui, mas não falo turco, nada de turco, até porque tem um tradutor no clube. E fiz amigos sim no elenco. Tem um zagueiro espanhol (Carlos García), um português (Daniel Candeias) e um chileno (Junior Fernándes), que fala português, que é filho de brasileira. O García e o Candeias já estavam aqui e me ajudaram muito até para me entrosar e no dia a dia. Eu me entrosei mais rápido no grupo, eles foram muito importantes para minha chegada.

Você está com 32 anos. Crê que ainda tem espaço no futebol brasileiro? Com seu contrato próximo do fim, quais são seus planos? Conversa para renovar, quer voltar ao Brasil? Saiu uma notícia de sondagem do Trabzonspor, da Turquia...

Procuro me cuidar muito. Apesar de estar com 32 anos, eu estou me sentindo bem fisicamente, principalmente. Então, eu acredito que se voltasse para o Brasil hoje ou fosse para qualquer outro lugar, sendo aqui na Turquia ou sendo em qualquer outro lugar do mundo, eu conseguiria jogar em alto nível. Até porque minha condição física é muito boa hoje. Eu tenho mais um ano de contrato aqui. Não recebi proposta de renovação do clube, ainda não recebi sondagem de nenhum clube da Turquia ou de outro lugar. Eu procuro viver uma coisa de cada vez. Quero terminar a temporada bem, se Deus quiser na artilharia do campeonato... e aí sim ver o que vai acontecer, se continuo por aqui ou se vai pintar outra coisa muito boa. Porque, para sair daqui, teria que ser uma coisa muito boa. Então, eu quero viver uma coisa de cada vez, meu momento agora e no fim da temporada vamos ver o que vai acontecer.

Como você avalia sua carreira nesse tempo desde sua saída do Corinthians, no início de 2016? Acredita que deveria ter saído mesmo naquele momento? Se arrepende de alguma decisão?

Acredito muito que futebol é momento. Eu não comecei muito bem naquele Corinthians de 2015. Mas, do meio do ano para o final, eu consegui deslanchar, fui vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro, artilheiro do time na temporada. Fiquei muito feliz com meu desempenho no Corinthians. Depois disso teve a proposta do Monaco, era um desejo que eu tinha também na carreira, de estar num bom centro do futebol mundial. Era uma oportunidade. Por isso eu fui para o Monaco naquela oportunidade. Não me arrependo de nada, de ter saído... muitos outros jogadores saíram naquela época por estarem aproveitando o momento.

Você jogou no Monaco até a última temporada. Imaginava que o clube ia tão bem esse ano agora, chegando à semifinal da Champions e com o título francês nas mãos? Por que você quis sair?

Eu quis sair do Monaco por não estar tendo muitas oportunidades. Por isso eu tomei a decisão de sair quando pintou a oportunidade de vir para a Turquia. Então, por isso eu quis sair. O treinador não ia me dar oportunidade nessa temporada que está acontecendo agora. O Monaco está fazendo um bom trabalho, fico feliz pelos amigos que fiz lá, torço por eles e espero que, depois dessa eliminação na Champions, eles sejam campeões franceses e acabem com a hegemonia do PSG, que é importante para o futebol. Ter outros grandes clubes da Europa que sejam campeões em seus países.

Chegou a ver o Mbappé jogando no Monaco? Imaginava que ele se tornaria isso tudo que se tornou? Até onde acha que ele pode chegar?

É um menino jovem, tem muita qualidade. Isso eu já via quando treinava com a gente, nos treinamentos já via que tinha muita qualidade. Antes de sair do Monaco, o vice-presidente perguntou dos jogadores que treinavam com a gente qual seria o jogador que despontaria. Eu citei o nome dele, que sem dúvida nenhuma despontaria. Não sabia que ia ser tão rápido como foi, seis meses depois dessa reunião ele começou a deslanchar, fazer grandes jogos e fazer gols. Isso é muito bom, quando aparece jogadores assim é bom para o futebol, espero que cresça cada vez mais e também que apareçam outros bons jogadores como o Mbappé. Espero que a gente veja outros Neymar, Gabriel Jesus, Mbappé, que isso faz abrilhantar cada vez mais o futebol. Tenho certeza que ele vai chegar muito longe, tem muita qualidade, potencial. Se mantiver a cabeça lugar e trabalhar forte, vai alcançar voos mais altos.

Você disse uma vez que jamais tinha sofrido com o racismo na Rússia, onde você jogou muito tempo no CSKA. Você acha que é um país que pode gerar problemas com isso na Copa? Chegou a viver algum caso de racismo seja na Rússia ou na Turquia? Ou mesmo que, sem um xingamento, as pessoas te trataram diferente em algum momento...?

Eu nunca sofri racismo lá e espero que isso não aconteça durante a Copa do Mundo e não aconteça nunca mais. A gente torce para que isso não aconteça em nenhum lugar do mundo. Infelizmente, já aconteceu com outros jogadores lá na Rússia, que eu me recordo bem. Tinha um companheiro meu que sofreu racismo uma vez numa cidade que foi jogar. Eu não fui jogar nessa cidade. De repente se eu tivesse junto, eu poderia ter sofrido esse tipo de racismo. Mas é uma coisa que tem que acabar no mundo inteiro, uma coisa chata, que infelizmente ainda acontece. Torço para que isso pare de acontecer, mas graças a Deus eu nunca tive problema com isso e espero que eu não tenha nunca.


Palmeiras, Corinthians e Flamengo. Dá para dizer que você teve passagens marcantes pelos três clubes. Você tem acompanhado seus ex-clubes? Continua tendo contato com o pessoal? Gostaria de voltar para algum deles?

Eu tenho um carinho muito grande por esses três clubes, cada um no seu momento certo. Em cada um tive uma história diferente. No Palmeiras, por ter me dado a oportunidade de surgir para o futebol brasileiro e mundial. No Flamengo, por ter me acolhido, por eu ter tido um carinho, uma identificação muito grande. E até por eu ser flamenguista desde pequeno, nunca escondi isso. Foi muito importante ter jogado pelo Flamengo, fiquei muito feliz de ter tido essa oportunidade de jogar no clube com a maior torcida do Brasil. E o Corinthians também tem seu gosto especial porque eu tive a oportunidade de ganhar um título importante, o Campeonato Brasileiro, num clube com a grandeza que tem o Corinthians.

Por cada um eu tenho um carinho e agradeço por ter passado. Lógico que por eu ser flamenguista, se fosse para escolher um time para voltar, eu creio que seria o Flamengo, sem dúvida nenhuma. Hoje eu ainda tenho alguns amigos no Corinthians, falo com o Jadson, Rodriguinho, torço para que conquistem o maior número de títulos possível. Agora são eles que estão representando. Tenho acompanhado, mas não muito. Às vezes vejo alguns lances, gols, mas os jogos, para assistir é mais complicado pela diferença de horário. Eu torço muito por esses amigos. Do Flamengo, da época que eu joguei, não tem mais nenhum jogador. É mais o pessoal da rouparia, da massagem, são por essas pessoas que eu continuo torcendo.

Ainda sonha com a Seleção? O que tem achado do momento do Brasil?

A gente sempre sonha, sempre tem vontade de vestir a camisa da seleção brasileira. Qual jogador que não tem vontade de estar lá, disputando e lutando pelo seu país? Essa vontade sempre fica. A gente sabe que trabalhando, se Deus abençoar, a gente chega lá. Mas, lógico que eu tenho os pés no chão e minha consciência que, se eu estivesse no Brasil, ou em algum centro melhor da Europa, pode ser que eu tivesse uma oportunidade. É um sonho um pouco distante, mas sonhar não custa nada.

Eu estou muito feliz pelo momento que o Brasil está passando. Feliz pelo Tite ter conseguido resgatar esse jeito do Brasil jogar, essa vontade dos jogadores de estarem na seleção. Ele pegou a seleção muito mal e conseguiu implementar seu modo de trabalhar, conseguiu unir o grupo novamente, conseguiu fazer com que os jogadores quisessem vestir novamente a camisa da Seleção. Estou muito feliz com esse momento, por ter sido a primeira seleção a se classificar para a Copa do Mundo. Então, tenho certeza, que se não for campeão nessa próxima Copa, vai fazer um bom trabalho, pelo menos chegar à final. Torço para que isso aconteça, que o Brasil possa ir para a Copa, que vai ser na Rússia, e trazer o título mais uma vez. Ficaria muito feliz pelos amigos que tenho lá, mas ainda mais pelo Tite, pela pessoa que é, o treinador que se tornou e pelo trabalho que vem fazendo. Com o trabalho a gente chega em qualquer lugar, que Deus sempre abençoou. Torço para o Brasil fazer uma boa reta final de Eliminatória, apesar de estar classificado, e que possa fazer uma boa Copa do Mundo do ano que vem. Fonte: Globo Esporte





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