domingo, 9 de junho de 2019

Em entrevista a canal oficial, Jorge Jesus afirma: "Vim trabalhar no Flamengo por paixão"



O novo técnico do Flamengo, Jorge Jesus, concedeu entrevista à Fla TV, conteúdo divulgado na manhã deste domingo. Ele fala sobre o seu próprio perfil como treinador, elogia as instalações do Ninho do Urubu, fala sobre o prestígio rubro-negro na Europa e comemora o período de treinos que terá com o recesso para a Copa América. Jesus garante que, se fosse por questões financeiras, não teria vindo para o Brasil, pois tinha propostas superiores na Europa. Mas quer o desafio de treinar uma das equipes que, na sua adolescência, ouvia dizer se tratar de uma das maiores do mundo.



- O talento do jogador também foi um dos fatores que me atraiu com essa possibilidade de treinar o Flamengo. Eu não vim treinar o Flamengo por questões financeiras. Por questões financeiras, eu nunca vinha treinar o Flamengo. Tinha na Europa várias equipes que nem se comparam em questão financeira. Vim trabalhar no Flamengo por paixão, por saber que o Flamengo é uma das grandes equipes do mundo. Na minha adolescência também se falava que as quatro melhores equipes do mundo eram Real Madrid, Barcelona, Boca Juniors e Flamengo. Era o que eu ouvia dizer, que eram as melhores quatro equipes do mundo.

Confira abaixo a íntegra da entrevista de Jorge Jesus à Fla TV:


Fla TV: Quem é Jorge Jesus?

Jorge Jesus: - Primeira vez que estou falando para a nação rubro-negra. Quem sou eu? No Brasil não sou um treinador tão conhecido quanto sou na Europa. Na Europa sou um treinador muito conhecido porque já estive em várias finais de competições europeias, e isso me deu um protagonismo muito grande. Em Portugal, nos últimos 10 anos treinei as duas melhores equipes, duas não, porque são três com o Porto, mas treinei o Benfica e o Sporting. Não gosto de falar muito de mim. Sou um apaixonado por futebol e estou também ansioso com este meu novo projeto aqui no Flamengo.
O que significa futebol para você?



- Eu fui criado no futebol desde os 14 anos, tem sido sempre a minha vida. Segui a minha carreira de treinador onde a minha motivação, quem de verdade todos os dias me motiva são os meus jogadores, e quem me apaixona todos os dias é minha profissão que é o futebol. Não há um treinador na história de Portugal que ganhasse tantos títulos como eu, não são só três, como houve um cara que disse, são 14, e portanto é para isso que eu todos os dias tento evoluir e trabalhar. Para poder corresponder à expectativa dos clubes que me procuram, e neste caso agora o Flamengo.

O que te motivou a vir para o Flamengo?

- O Flamengo nunca esteve dentro de um leque de equipes que eu pensasse que pudesse treinar, vou falar com toda verdade e sinceridade. Agora, o futebol brasileiro é um futebol que sempre me apaixonou. Nós na Europa temos duas equipes, duas seleções. No meu caso sou português, temos a seleção portuguesa, e temos o Brasil. Na minha adolescência, nos meus vinte e poucos anos, quem ia sempre para as Copas do Mundo era o Brasil, Portugal poucas vezes ia. Então éramos sempre a favor, nosso país era o Brasil. As grandes equipes que o Brasil teve, como no México, Espanha, lembro perfeitamente dessas seleções. O futebol brasileiro sempre me apaixonou. Eu quando treinava equipes de menos nome em Portugal vinha muito ao Brasil ver jogadores de equipes secundárias e os levava para Portugal. São dois países que amam o futebol. Sempre trabalhei com muitos jogadores brasileiros em Portugal, tive uma equipe com sete titulares brasileiros. E eu dizia para eles que nasceram para jogar futebol, são do país do mundo que faz jogadores com mais facilidade. O talento do jogador também foi um dos fatores que me atraiu com essa possibilidade de treinar o Flamengo.



- Eu não vim treinar o Flamengo por questões financeiras. Por questões financeiras, eu nunca vinha treinar o Flamengo. Tinha na Europa várias equipes que nem se comparam em questão financeira. Vim trabalhar no Flamengo por paixão, por saber que o Flamengo é uma das grandes equipes do mundo. Na minha adolescência também se falava que as quatro melhores equipes do mundo eram Real Madrid, Barcelona, Boca Juniors e Flamengo. Era o que eu ouvia dizer, que eram as melhores quatro equipes do mundo. E portanto tenho conhecimento, sem sonhar que um dia podia treinar o Flamengo. Os grandes ídolos que o Flamengo teve, como o Zico, sou amigo dele, esteve em Portugal quando eu treinava o Sporting.

Como vai aproveitar o recesso para a Copa América?

- É um período bom. Tenho algum tempo para passar as minhas ideias, como é óbvio. Quem executa são os jogadores, mas as ideias são dos treinadores. Certeza que tenho uma metodologia de treino diferente daquilo que eles estão habituados, então tem de haver uma adaptação, uma aprendizagem, um relacionamento muito grande entre o staff técnico e os jogadores e esse espaço dessas duas semanas ajuda mais, há mais tempo para passar a mensagem.

Ansioso para estrear?



- Claro que sim! Ainda haverá dois jogos antes de eu começar a trabalhar. Tenho acompanhado muito a equipe do Flamengo. Agora claro que acompanho mais. Mas sem saber que treinaria o Flamengo, eu vejo muito em Portugal. Na minha casa tenho dois canais, o PFC e a Globo. A Globo só dá alguns jogos mais especiais, mas o PFC dá tudo que é futebol brasileiro. E sempre em minha casa, 24 horas, porque tenho um estúdio na minha casa com várias televisões e canais do mundo, e pronto. Claro que há muita coisa que não sei, mas assim por alto conheço muito o que é a equipe do Flamengo.

Você viu a partida contra o Atlético Mineiro?

- Essa eu vi ao vivo. Foi um dos jogos que o Flamengo perdeu. Algumas coisas me chamaram a atenção. Mas queria deixar essas coisas para passar aos jogadores. A minha forma de trabalhar com os jogadores nunca vai ser pública, vai ser sempre dentro das nossas quatro paredes, como costumamos dizer. Agora, deu para perceber perfeitamente que o Flamengo tem grandes jogadores.



Como jogam os times do Jorge Jesus?

- O futebol tem variantes que a gente pode identificar. Uma daquelas que todos os amantes de futebol falam é se jogam em 4-3-3, ou em 4-4-2, ou no 3-5-2, que é aquilo que se chama sistema. Isso é o princípio de tudo. Não há nenhum sistema melhor ou pior, há aquele sistema que o treinador acredita, tem as características dos jogadores, e que tenta desenvolver em cima dessas mesmas ideias. E é isso que eu vou fazer. Eu sou de jogar muito com primeiro e com segundo avançado, vou me basear muito nessa ideia de jogo, sabendo que a evolução do futebol hoje não é isso. Não vou ter tempo para fazer. Hoje a evolução do futebol no mundo vai ser, começa a jogar no 4-4-2, depois de uma hora passa a jogar no 4-3-3, aí passa para o 3-4-3, isso vai ser a evolução do futebol no mundo. Mas neste momento temos de nos virar só para uma ideia, porque também não temos tempo para mais.



Calendário europeu e calendário brasileiro

- A única diferença para a Europa é que na Europa jogamos de três em três dias. Campeonato, Champions, Liga Europa, Copa, como vocês têm aqui. Em Portugal, temos quatro competições. Vocês aqui só têm três. Mas o que tem mais? Deslocamento. Nós não andamos tantas horas de um lado para o outro, os jogadores perdem muitas horas nos aeroportos, não fazem a recuperação adequada depois dos jogos, isso aí é diferente. Agora, jogar de três em três dias, isso a gente joga. No Brasil faz 80 e tantos jogos, na Europa fazemos 80 e tantos jogos. Isso aí é semelhante. Com uma questão, na Europa se joga com uma intensidade muito mais alta.

Jogadores que chamaram a sua atenção

- Eu trabalhei com alguns dos melhores jogadores do mundo. David Luiz, chegou ao Benfica com 19 anos, Ramires, Talisca, e outros jogadores com o Di Maria, Aymar, Saviola, Matic, talvez o melhor meia central do mundo, são tantos jogadores que nem me lembro.
Cândido de Oliveira dá nome a uma taça em Portugal. Sabia que ele já foi técnico do Flamengo?



- Não, é uma curiosidade. Não sabia que tinha sido técnico do Flamengo. Não o conheço bem, já faleceu, é muito mais velho do que eu, mas sei a história dele desportiva, sei que foi jornalista, depois se tornou treinador, mas não sabia que ele tinha treinado no Brasil. É uma curiosidade bonita. E eu, para ajudar um pouco ele a ser uma lenda viva do futebol em Portugal, já ganhei cinco taças dele.
Instalações do Ninho do Urubu

- É um espaço muito bonito, moderno, com áreas muito adequadas a um centro de treinamento. Tudo bem concentrado em função das necessidades de uma equipe de futebol. Acho que foi bem pensado em função do que é exatamente dar espaço e garantias de trabalho aos profissionais. Tem instalações espetaculares.

Recado para a nação

- Para a torcida rubro-negra e para os fãs de todo o mundo do Flamengo, porque em Portugal também há muitos, quero lhes dizer que essa camisa é um símbolo que respeito muito. Vou fazer tudo que está ao meu alcance, em relação à minha capacidade, para poder transportar o Flamengo a ganhar os títulos que todos os seus adeptos mais desejam. E eu estou ansioso para começar a trabalhar.


Fonte: https://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/em-entrevista-a-canal-oficial-jorge-jesus-afirma-vim-trabalhar-no-flamengo-por-paixao.ghtml

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