A classificação do Flamengo para a semifinal da Libertadores teve um protagonista inesperado. Na noite desta quinta-feira (17), o Rubro-Negro empatou por 1 a 1 com o Independiente del Valle, no Maracanã, e avançou graças à vantagem construída no primeiro confronto. Em uma partida complicada, com atuação abaixo do esperado e um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, o gol decisivo nasceu justamente dos pés de Agustín Rossi.
Aos 38 minutos da etapa final, o goleiro rubro-negro tentou um lançamento longo. A bola ganhou altura e acabou enganando Gonzalo Quintana, que calculou mal o tempo da jogada. Atento, Arrascaeta aproveitou a falha, apareceu diante do gol vazio e cabeceou para as redes.
O lance representou o empate e, principalmente, o alívio para um Flamengo que naquele momento sofria forte pressão do adversário.
Uma assistência que valeu muito mais do que o empate
Depois da partida, Rossi revelou que o momento teve um significado especial por três motivos. Além da classificação do Flamengo, o goleiro comemorava o aniversário do pai e registrava algo inédito em sua carreira: a primeira assistência como jogador profissional.
“Estou muito feliz pela assistência, a primeira da minha vida. Além disso, muito feliz por ser o aniversário do meu pai. Dedico essa assistência para minha esposa e meu filho que sempre me acompanham”, afirmou Rossi.
O goleiro também explicou como enxergou a jogada e admitiu que seu chute não tinha como objetivo encontrar diretamente um companheiro para finalizar.
“Meu chute não entraria. A bola iria para fora. O campo, a equipe alta, o goleiro perdeu o tempo da bola e falhou.”
A declaração mostra que o lance decisivo surgiu de uma combinação de fatores: o lançamento de Rossi, a trajetória da bola, a condição do campo, a presença dos jogadores e, principalmente, o erro de Quintana.
Flamengo enfrentou cenário de extrema pressão
O gol de Arrascaeta apareceu em um momento especialmente delicado para o time brasileiro. O Flamengo estava perdendo por 1 a 0, não apresentava seu melhor futebol e ainda havia ficado com dez jogadores depois da expulsão de Jorginho.
Com superioridade numérica, o Del Valle aumentou a pressão e chegou a balançar as redes novamente. O segundo gol, porém, foi anulado. Caso a marcação tivesse sido validada, o confronto teria ido para a disputa de pênaltis.
Foi nesse contexto que a jogada iniciada por Rossi mudou completamente o panorama da partida. O empate manteve o Flamengo em vantagem no confronto e garantiu a presença rubro-negra na semifinal da competição.
Rossi reconhece atuação abaixo do esperado
Apesar da classificação, o goleiro não escondeu que o Flamengo encontrou dificuldades durante a partida. Segundo Rossi, a equipe teve problemas para encontrar espaços na defesa equatoriana principalmente no primeiro tempo.
“Primeiro tempo não encontramos o jeito de entrar na defesa deles, somente por dentro. No intervalo, procuramos o jogo pelos flancos, depois a situação de ter um jogador a menos.”
A expulsão de Jorginho, segundo a avaliação do goleiro, tornou o desafio ainda mais complicado. O Flamengo precisou resistir à pressão do adversário até encontrar o gol salvador.
Rossi lembra outro drama recente na Libertadores
A situação vivida contra o Del Valle também fez Rossi recordar um episódio da campanha de 2025, quando o Flamengo disputou as quartas de final da Libertadores contra o Estudiantes.
Na ocasião, segundo o próprio goleiro, o Rubro-Negro também precisou atuar com um jogador a menos no Maracanã e conseguiu sair vencedor.
“Libertadores é assim, no ano passado (contra o Estudiantes, ida das quartas), nesta mesma fase e no Maracanã, jogamos com um a menos e vencemos. Enfim, hoje de novo fomos felizes.”
A lembrança reforça a dimensão do cenário enfrentado pelo Flamengo nesta quinta-feira. Com um jogador expulso, sofrendo pressão e atrás no placar, o time encontrou uma solução em uma jogada improvável.
Do lançamento ao gol de Arrascaeta
Rossi deixou o campo com uma marca inédita na carreira e como peça importante de uma classificação que esteve ameaçada durante boa parte do segundo tempo.
O goleiro lançou, Quintana falhou na leitura da bola e Arrascaeta apareceu no momento certo para completar de cabeça. Uma assistência que não nasceu de uma jogada tradicional de criação, mas que acabou sendo decisiva para manter o Flamengo vivo e conduzir o time à semifinal da Libertadores.
Para Rossi, a noite terminou com uma combinação difícil de esquecer: classificação, aniversário do pai e a primeira assistência da carreira.
