A classificação do Flamengo para as semifinais da Libertadores veio acompanhada de uma preocupação que vai além do próximo adversário. O estado do gramado do Maracanã voltou a ser alvo de críticas dos jogadores, e a sequência de partidas prevista para o estádio coloca em dúvida a possibilidade de recuperação do campo ainda em 2026.
Após a partida, o zagueiro Léo Ortiz foi direto ao questionar o que acontecerá com o gramado durante os últimos meses da temporada. Para o defensor, as condições atuais dificultam especialmente o estilo de jogo do Flamengo, que busca manter a posse e construir as jogadas pelo chão.
Data Fifa não significa descanso para o Maracanã
O calendário oferece uma janela de 17 dias sem jogos de futebol no Maracanã depois do compromisso do Flamengo contra o Bragantino, no próximo domingo. O problema é que o estádio não ficará completamente sem atividade.
No dia 27 de setembro, o Maracanã receberá o duelo entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys, pela NFL. A realização da partida de futebol americano gera preocupação entre os responsáveis pela administração do estádio porque o gramado poderá sofrer um desgaste adicional.
Segundo o GE, uma das possibilidades estudadas é a substituição completa do campo depois do evento da NFL. A troca, porém, ainda não está confirmada.
O intervalo entre o confronto americano e o retorno do futebol será de apenas dez dias. O primeiro jogo programado para depois desse período é Fluminense x Coritiba, marcado para 8 de outubro.
Chuva pode impedir troca do gramado
A situação também depende diretamente das condições climáticas. Existem atualmente dois campos preparados em uma fazenda localizada em Saquarema, no estado do Rio de Janeiro, destinados à eventual substituição do gramado do Maracanã.
Entretanto, a sequência de chuvas impede, neste momento, que a grama seja retirada em rolos e transportada para o estádio. Para que o procedimento seja realizado, é necessário um período de dias consecutivos sem chuva, permitindo que o material fique seco.
Caso o tempo permaneça instável durante toda a Data Fifa, a substituição do gramado poderá não acontecer mais nesta temporada. A próxima paralisação prevista no calendário, em novembro, terá somente nove dias, período considerado insuficiente para uma operação desse porte.
Maracanã aposta na manutenção até o fim do ano
Enquanto uma troca completa não é possível, a administração do estádio, comandada pelo consórcio formado por Flamengo e Fluminense, mantém as medidas de tratamento do campo.
Entre os recursos utilizados estão um programa intenso de fertilização, ventiladores e equipamentos de iluminação considerados modernos para auxiliar na recuperação do gramado.
O consórcio aponta uma combinação de fatores para explicar o desgaste atual: o volume de chuva acima do normal, temperaturas superiores à média esperada para o período e a grande quantidade de partidas realizadas no estádio. Segundo a administração, o problema se agrava quando muitos desses jogos acontecem justamente em dias chuvosos.
Na última sexta-feira, o CEO do Maracanã, Fred Nantes, concedeu entrevista coletiva para explicar as condições do gramado depois das críticas feitas por atletas e integrantes das comissões técnicas de Flamengo e Fluminense.
“Reconhecemos que não está na qualidade que a gente gostaria. Não dá para dizer diferente. A frustração é grande, mas a gente precisa fazer uma análise bastante criteriosa quando a gente critica. Sempre baseada em dados técnicos. Não há negligência com o gramado”, afirmou Nantes.
Mudança definitiva está prevista para dezembro
O Maracanã já tem uma alteração planejada para a próxima temporada. A partir de 2027, o estádio deverá utilizar a chamada “Celebration Hydrid”, considerada mais moderna e resistente do que a Bermuda Celebration, atualmente instalada no campo.
A nova grama também apresenta maior flexibilidade para procedimentos de reforma e tratamento.
A mudança está programada para começar imediatamente após o encerramento do Campeonato Brasileiro. A retirada completa do gramado atual ocorrerá depois da 38ª rodada, ainda em dezembro, quando também deverá começar o plantio da nova grama.
Críticas ao campo reacendem debate sobre gramado sintético
O desgaste do Maracanã também colocou novamente em evidência uma discussão que envolve diretamente o Flamengo: a utilização de gramados sintéticos no futebol brasileiro.
O clube é contrário a esse tipo de superfície e, no ano passado, apresentou à CBF uma proposta voltada à melhoria e à padronização dos gramados no país. Entre as sugestões estava justamente o fim dos campos sintéticos.
Após a classificação na Libertadores, porém, Léo Ortiz reconheceu que a situação do Maracanã acaba fortalecendo os argumentos de quem defende esse modelo.
O zagueiro fez questão de separar as condições do campo do desempenho do Flamengo na partida e afirmou que o gramado não poderia ser utilizado como justificativa pelo resultado.
Segundo Ortiz, a equipe foi inferior ao adversário nos aspectos mental, físico, técnico e tático. Ao mesmo tempo, ele classificou o estado do campo como impraticável e destacou que a situação prejudica especialmente uma equipe que procura desenvolver seu futebol com a bola no chão.
O defensor também demonstrou preocupação com a sequência de utilização do estádio, lembrando que, mesmo durante a Data Fifa, o Maracanã receberá a partida da NFL.
Para Léo Ortiz, a combinação entre gramados naturais em condições ruins e a dificuldade de manutenção pode acabar incentivando a adoção de superfícies sintéticas no país.
A grande questão agora é saber se haverá tempo e condições climáticas para recuperar ou substituir o campo antes da reta final da temporada. Enquanto isso, o Flamengo terá de continuar disputando partidas em um gramado que seus próprios jogadores classificaram como um obstáculo para o estilo de jogo da equipe.
