Carrascal punido, Flamengo multado e Paulinho absolvido pelo STJD

Carrascal contra o Palmeiras - 📸 Foto: Jayson Braga/Brazil Photo Press/Folhapress

 

A Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva determinou a suspensão de Carrascal por três partidas após a expulsão direta na derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, no último sábado. O colombiano atingiu o rosto do zagueiro Murilo ainda no primeiro tempo e acabou recebendo cartão vermelho de forma imediata.

Além da suspensão, o jogador recebeu punição de 30 dias e multa de R$ 10 mil. O episódio amplia a preocupação da torcida e da comissão técnica, principalmente porque essa já foi a terceira expulsão do atleta em 2026.

Carrascal vira dor de cabeça para Leonardo Jardim

O que mais incomoda nos bastidores do Flamengo não é apenas a suspensão, mas a repetição dos erros. Carrascal já havia sido expulso contra o Corinthians, na Supercopa do Brasil, e diante do Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro.

Ou seja: não se trata mais de um acidente isolado.

Para Leonardo Jardim, a ausência do colombiano mexe diretamente com o planejamento da equipe. Mesmo sem ser unanimidade entre os torcedores, Carrascal vinha sendo utilizado como peça importante na rotação do meio-campo, principalmente em jogos que exigem maior intensidade física e velocidade na transição ofensiva.

Agora, o treinador português precisará reorganizar o setor justamente em uma sequência pesada de partidas após a Copa do Mundo. Isso pode abrir espaço para jovens da base ou obrigar o Flamengo a sobrecarregar atletas que já acumulam minutagem elevada na temporada.

A absolvição de Leonardo Jardim no tribunal acabou sendo um pequeno alívio no meio do caos. O treinador havia sido denunciado por críticas à arbitragem, mas escapou de punição.

Flamengo revive problema antigo de indisciplina

O mais curioso — e preocupante — é que essa situação lembra outros momentos turbulentos vividos pelo Flamengo recentemente. Um caso parecido aconteceu em 2023, quando o Rubro-Negro liderou o ranking de cartões vermelhos no futebol brasileiro.

Na época, jogadores importantes como Gabigol, Gerson e até membros da comissão técnica acabaram envolvidos em expulsões e confusões. O excesso de cartões virou tema recorrente nas entrevistas e afetou diretamente o desempenho do time em partidas decisivas.

Agora, o roteiro parece se repetir.

O Flamengo continua sendo um elenco extremamente técnico, mas muitas vezes perde o controle emocional em jogos grandes. Contra o Palmeiras, por exemplo, o time já enfrentava enorme pressão dentro de campo, e a expulsão precoce praticamente desmontou qualquer estratégia desenhada por Leonardo Jardim.

Em partidas equilibradas, detalhes fazem diferença. E jogar com um atleta a menos contra um adversário forte costuma ser praticamente uma sentença.

Punições também pesam no caixa do clube

Além dos impactos esportivos, a confusão também gera prejuízo financeiro ao Flamengo.

O clube foi multado em R$ 45 mil pelos objetos arremessados no gramado e pela confusão registrada antes do apito final da partida contra o Palmeiras. Fernando Munhoz, massagista rubro-negro, também recebeu suspensão de 30 dias e multa de R$ 15 mil após ameaças direcionadas à arbitragem.

Somando tudo, o Flamengo terá um prejuízo direto de R$ 70 mil apenas com punições relacionadas ao episódio.

Pode parecer pouco para um clube bilionário, mas esse tipo de gasto recorrente incomoda qualquer gestão. Principalmente porque são valores totalmente evitáveis.

Nos bastidores, existe preocupação com o acúmulo de punições ao longo da temporada, algo que pode prejudicar o clube inclusive em futuras avaliações disciplinares dentro do STJD.

Enquanto isso, o Palmeiras teve cenário bem mais leve. Paulinho, autor do terceiro gol, não foi punido pelo gesto obsceno durante a comemoração e está liberado para enfrentar a Chapecoense. O clube paulista recebeu multa de R$ 15 mil pela confusão.

A torcida precisa cobrar maturidade

O torcedor do Flamengo já está cansado de ver o time perder jogos importantes mais pela própria cabeça do que pela qualidade do adversário.

Claro que arbitragem ruim irrita. Claro que provocações existem. Isso faz parte do futebol. Mas um elenco que custa milhões precisa saber lidar com pressão sem entregar partidas de bandeja.

O Flamengo de 2019 era intenso, competitivo e até provocador. Mas, acima de tudo, era inteligente. O time sabia usar a pressão a favor. Hoje, às vezes parece que alguns jogadores entram em campo querendo ganhar discussão em vez de ganhar jogo.

E convenhamos: tomar três expulsões em poucos meses não ajuda ninguém a conquistar espaço na torcida.

Carrascal tem qualidade técnica, isso é evidente. Mas futebol no Flamengo exige personalidade, equilíbrio emocional e responsabilidade. Porque vestir essa camisa não é só bater bonito na bola — é suportar o peso da expectativa de milhões de torcedores.

Agora quero saber: você acha que Carrascal merece novas oportunidades no Flamengo ou a paciência da torcida já está chegando ao limite?

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