quinta-feira, 19 de maio de 2022

Paulo Sousa não teme choque com medalhões e mantém convicção para reconstruir time




Espn: Esquecer 2021 e suas marcas foi o que pensou o Flamengo para a atual temporada. Troca de conceitos, nova comissão técnica e até mudanças diárias, como retorno do ponto para jornada de trabalho e novos horários de treinamentos, aconteceriam.



E Paulo Sousa foi o escolhido por ter exatamente o que era necessário para isso: personalidade forte para um eventual choque em meio ao processo de reconstrução.

Veteranos sem prestígio e choque em público

E esse momento chegou publicamente. A declaração do treinador após a vitória por 3 a 0 sobre a Universidad Católica pela Conmebol Libertadores escancarou todo o ambiente tenso que circula no Ninho do Urubu nas últimas semanas, em especial com Diego Alves. E reforçou a tese do técnico no primeiro papo com o elenco do Flamengo: processos e meritocracia seriam primordiais para decidir quem fosse jogar. O 'crachá' passaria a ter peso zero na briga por vaga no time. E assim foi feito.



Quando chegou, Paulo Sousa viu a diretoria deixar acertada a renovação dos contratos de Diego Alves, Diego Ribas e Filipe Luís, peças que não preenchiam os requisitos que o treinador pensava para o novo Flamengo. Destes, apenas o último foi titular com o português.

E com uma ressalva: atuando na zaga com o esquema formado por três defensores e não mais como lateral. Um baque e tanto para o grupo, que viu o trio que atuava com frequência com Jesus, Doménec Torrent, Rogério Ceni e Renato Gaúcho estar cada vez mais distante de ser absoluto no clube.



Em contrapartida, Paulo Sousa seguia sua convicção, implementando a metodologia de trabalho que acredita ser a correta para o objetivo que foi colocado à sua mesa: reconstruir o Flamengo. E assim foi feito logos nos primeiros momentos no Rio de Janeiro. Sacou Diego Alves e apostou em Hugo.

Nos últimos dias, mesmo com o goleiro sendo alvo da torcida, bancou o camisa 45 quando Diego Alves acreditou que seria titular em virtude da lesão de Santos. Dias depois, o goleiro acabou se queixando de um incômodo no púbis.



Questionado sobre a situação de Diego Alves, Paulo Sousa deu uma declaração firme e afirmou que ouviu de Bruno Spindel que o goleiro estaria apto para ajudar o clube. Foi aí que o treinador vetou qualquer chance de participação justificando que respeita seus processos de que se um atleta não treina dias antes de um jogo, o mesmo não tem condição para atuar.

Jovens que cresceram com Paulo Sousa

Outra questão que Paulo Sousa decidiu renovar foi inverter o cenário em diversas posições, priorizando os mais novos. Na lateral-direita, Matheuzinho se tornou o titular da posição, com Isla, preferido de Renato Gaúcho, chegando a ser terceira opção durante a temporada.



O mesmo para a lateral-esquerda, que viu Filipe Luís ser deslocado para a zaga, Renê ser negociado e Lázaro ser adaptado no lugar que conquistou a confiança do comandante. O camisa 13 saiu do ostracismo com os últimos treinadores para virar peça muito importante no Flamengo de 2022. Além disso, Ayrton Lucas chegou com aprovação do português para a função.

No meio campo, João Gomes inverteu todo o cenário da posição. Último da fila e muitas vezes fora do banco com Renato Gaúcho, o garoto se tornou titular absoluto do meio-campo. Com boas atuações, principalmente pela força que tem na hora de combater e na qualidade com a bola no pé, João Gomes é constantemente elogiado por Paulo Sousa. Arão, Thiago Maia e Andreas, prioridades de Renato Gaúcho, se alternam e brigam pela outra vaga no setor na cabeça do comandante.



O último da lista foi Victor Hugo. O jovem de 18 anos, que tem uma multa de 100 milhões de euros (cerca R$ 521 milhões) encantou o treinador nos treinos, deixou seu gol contra o Altos e vem cada vez mais ganhando espaço com Paulo Sousa, que enxerga um futuro promissor para a cria do Ninho.

Única vez que Paulo Sousa cedeu

Na frente, apenas Everton Ribeiro sofreu com a chacoalhada que Paulo Sousa deu no Ninho. Foi deslocado para a ala-esquerda no início do ano, enquanto o trio Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol continuavam sendo o terror das defesas adversárias.

No entanto, a situação do camisa 7 foi a única que o comandante decidiu rever seus conceitos e internamente constatou que Everton não rendia bem pela ala esquerda. Depois de uma conversa com o atleta, decidiu retornar com o capitão para a ponta direita. Everton voltou a jogar bem, como na última partida diante dos chilenos.



Próximos passos

Todas essas mudanças de Paulo Sousa na cultura do Ninho aconteceram em meio ao turbilhão de emoções do torcedor, ansioso por um futebol bonito como em 2019, preso na memória do rubro-negra, e que ganhou peso com todo o imbróglio envolvendo um possível retorno de Jorge Jesus.

Ao jornalista Renato Maurício Prado, o Mister afirmou que daria um prazo até o dia 20 de maio ao Flamengo para retornar. Publicamente, a diretoria do Flamengo não se manifestou para demonstrar que estava ao Paulo Sousa.

Internamente, deram prestígio ao comandante. No entanto, prestígio no futebol é algo que acaba em questão de segundos. O que não vai mudar é que Paulo Sousa vai até o fim com o propósito que decidiu seguir em seu primeiro dia no Ninho: que era reconstruir o Flamengo.


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Imagem: Divulgação

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