quarta-feira, 9 de março de 2022

Flu é absolvido de acusação de racismo contra Gabibol e Fla é punido com multa por homofobia




O Globo: O Fluminense foi absolvido nesta quarta-feira pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro da acusação de racismo contra Gabigol, do Flamengo, no clássico realizado em 6 de fevereiro pelo Campeonato Carioca. O clube rubro-negro, no entanto, foi multado em R$ 20 mil por cantos homofóbicos de sua torcida na mesma partida.



Em ambos os casos, a decisão foi unânime: os cinco juízes votaram punindo o Flamengo e absolvendo o Fluminense.

No caso em análise sobre Gagibol, o Flu poderia ter sido punido com a perda de até 3 pontos e multa de até R$ 1 mil, caso o TJD-RJ tivesse acatado a denúncia da procuradoria-geral a partir do depoimento do atacante. Ele disse ter sido xingado de “macaco” no intervalo da partida, conforme registrado em vídeos compartilhados nas redes sociais.



A multa ao Flamengo, por sua vez, tinha teto de até R$ 100 mil. A torcida entoou cânticos que diziam: “que palhaçada, esse pó de arroz, tricolor v..., passa maquiagem, dá o c.. depois...”.

O entendimento do colegiado responsável pelas análises, presidido pelo auditor José Teixeira, foi que, apesar de episódios de racismo nos gramados serem “gravíssimos”, não houve provas que confirmassem se o Fluminense descumpriu o artigo 243-G do Código Brasileiro da Justiça Desportiva (sobre a prática de “ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade (...)”). O mesmo não aconteceu no caso do Flamengo.



Tanto o Fluminense quanto o Flamengo entregaram ao TJD-RJ resultados de perícias independentes que analisaram o caso de Gabigol.

No serviço encomendado pelo Flu, assinado pela perita Valéria Leal, concluiu-se que não era possível identificar a autoria e o conteúdo exato dos xingamentos contra Gabigol. Contratado pelo Flamengo, o perito Ricardo Molina identificou o contrário: registrou o uso da palavra “macaco” duas vezes contra Gabigol.

O jogador, apesar de não ter levado o caso à polícia, depôs ao TJD por videoconferência em 18 de fevereiro. 



Na ocasião, narrou sua versão dos fatos por cerca de uma hora e disse que não gostaria de deixar que o caso passasse impune. Foi ouvido, entre outros integrantes do TJD-RJ, pelo procurador-geral André Valentim, que optou por denunciar o Fluminense. 

O julgamento de hoje aconteceu no Centro do Rio, sem a participação de Gabigol. O Fluminense apresentou duas testemunhas ao TJD-RJ: a própria perita e o preparador físico do clube Marcos Seixas. Seixas informou à Corte que conversava com Gabigol no momento em que as ofensas foram proferidas e que, apesar de ter ouvido os xingamentos, não é possível afirmar que eles tinham cunho racista. 

Caso tivesse sofrido punição pela fala racista, o Fluminense, líder do Carioca com 27 pontos, passaria a somar 24 pontos, com uma diminuição na vantagem sobre os 23 pontos do próprio Flamengo, segundo colocado. Os times entram em campo no sábado, na nova rodada do campeonato, em partidas diferentes: o Flu disputa com o Boavista e o Fla diante do Bangu.


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Imagem: André Fabiano/Código19 / Estadão

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