O Redação Sportv desta sexta-feira teve como convidado o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ), líder do projeto de lei que propõe a transformação dos clubes em empresa. A expectativa é de que o tema seja votado na Câmara ainda em outubro.
Pedro Paulo destacou que a preservação da marca, uma das preocupações dos torcedores, é prioritária.
- Pode, como uma empresa. Ao virar empresa, ele terá benefícios e riscos que se assume em um negócio. Estamos estudando um mecanismo para proteger o escudo e a marca. Que o investidor utilize a marca, mas que num caso de falência não se perca.
O deputado federal explicou que a recuperação judicial permitiria ao Botafogo se livrar do quadro de asfixia financeira, muito representado pelas constantes penhoras sofridas.
- Vamos ficar no caso do Botafogo. Tem R$ 750 milhões em dívidas, R$ 350 milhões é com o Fisco, e aí o refinanciamento ajuda a equacionar essa dívida. Mas há R$ 250 milhões em dívidas cíveis. É jogador que não recebeu, fornecedor, e a recuperação judicial pode ser um formato para que ele possa organizar essa fila de pagamentos e se ter uma estratégia para quitar esses débitos de pessoas que não recebem há anos. Isso enforca o clube.
Se tornar empresa não virará uma obrigação a todos os clubes
Pedro Paulo também destacou que clubes como Flamengo e Palmeiras, que "vêm fazendo o dever de casa", não precisarão se tornar empresas. Nem a dupla nem quem tiver interesse em manter o atual modelo.
- O Flamengo reclamou bastante, tive diversas reuniões, ontem conversei com o presidente Landim. Prova que o projeto vem sido discutido. Ele mostrou mais uma vez a insatisfação do Flamengo em relação ao modelo de isenção condicionada, que era manter o clube no formato de associação, eles teriam o benefício tributário que existe hoje, mas sob alguns critérios de responsabilidade e governança.
Confira outros tópicos da entrevista:
Estágio do projeto
- O que está sendo construído é um substitutivo de dois projetos que estão em andamento. Estamos discutindo com clubes, atletas e vários segmentos que serão diretamente afetados pelo projeto e até beneficiados com a nova legislação. Construindo algum consenso, lógico que não vai ser absoluto. Fazer um projeto desse é como escalar a seleção brasileira, cada um tem a sua.
Barreto pergunta: o projeto não vem dos clubes, vem de fora, certo?
- Realmente não é projeto dos clubes, é um projeto para o futebol brasileiro. A gente tem que ter opinião dos atletas, da sociedade. Tem que dialogar com investidores que potencialmente têm interesse de investir no futebol brasileiro. Não é um projeto de um segmento só.
Não é indecente no momento do país falar em mais um refinanciamento fiscal?
Refinanciamento de dívida é algo que deve ser discutido sim. Se é oferecido às empresas, pode-se oferecer também ao futebol. Agora tem uma diferença capital nessa história: não será oferecido refinanciamento aos clubes que se mantêm como associação civil.
- Esse refinanciamento, essa conciliação dessas dívidas enormes que os clubes têm os clubes será feita para quem mudar o formato de empresa. Primeiro há a responsabilização. O acionista vai responder com seu patrimônio se não pagar o refinanciamento. Não vai ter essa enrolação que aconteceu nos diversos refinanciamentos feitos com os clubes. A cobrança e a fiscalização do Estado vai ser muito maior.
- Não estamos desenhando um refinanciamento para se perder de vista, em 240 meses. Chamo muito mais de conciliação para que, com desconto de juros e multas, possa vir o investidor externo e zerar essa dívida. É dar uma oportunidade para, no formato de empresa, quitar essa dívida e explorar o potencial de investimentos no futebol.
Fonte: https://sportv.globo.com/site/programas/redacao-sportv/noticia/clube-empresa-deputado-explica-projeto-de-lei-usando-casos-de-botafogo-e-flamengo.ghtml
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