sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Flamengo 'cura' frustrações de Rodrigo Caio, que diz ter sido tachado de 'playboy' na base



Depois de oito anos no São Paulo, Rodrigo Caio veio ao Flamengo para esquecer o passado. Não só no ex-clube, onde não queria começar 2019. As frustrações por não ir à Copa do Mundo da Rússia e não ter concretizada uma venda para a Europa também deixaram marcas.



Livre da lesão no pé esquerdo que o atormentou em 2018, o zagueiro de 26 anos vive o presente rubro-negro que pediu. De volta ao time titular contra o Santos, neste sábado, no Maracanã, pelo Brasileiro, o jogador projeta um futuro de conquistas pessoais e do clube.

Ao assumir as rédeas da própria carreira e colocar o Flamengo como única opção no Brasil, apesar de sondagens internas e do exterior, por empréstimo, Rodrigo Caio espera que a volta à seleção brasileira venha naturalmente, e crê que o trabalho no clube resultará nisso.



- É um novo ciclo que se iniciou, e eu procurei filtrar tudo, esquecer o passado, tive momentos bons e ruins, como é a vida. Procurei pensar na nova história que eu vim construir, que tenho certeza que será linda, de alegrias. Vim para um clube vencedor, maravilhoso, que dá todo suporte ao jogador. Uma equipe tremenda, muito forte, jogadores com objetivos de conquistas. Eu me identifiquei totalmente com todos - afirmou, em entrevista exclusiva ao EXTRA.

Já no Rio, como jogador do Flamengo, Rodrigo casou-se com Tayane Carvalho, com quem planeja construir sua família após cerimônia na igreja. A vida pessoal ganha novas cores com os planos de um bebê.



A infância em Dracena, interior de São Paulo, também foi assunto na entrevista. Em que Rodrigo Caio citou situações de preconceito na base por ter uma aparência que o levou a ser tachado de garoto de condomínio por um dirigente do São Paulo, quando já estava no profissional.

- Muitas pessoas não falam, mas pensam. E falam pro companheiro do lado. Olhavam para mim, chamavam de playboyzinho, isso e aquilo. Não sabiam o que eu passei. Mas eu também não ligava para o que falavam, eu sabia da minha vida, porque eu estava ali, meus sonhos e objetivos - relatou.



CONFIRA ABAIXO A PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA COM O CAMISA 3 DO FLAMENGO


EXTRA: Por que você quis recomeçar no Flamengo?

Deixaram bem claro que seríamos protagonistas em 2019. Que teríamos contratações de jogadores de nível muito alto para brigar em todas as competições. A minha primeira conversa eu deixei meu claro que o Flamengo seria minha primeira e única opção no Brasil. Quando decidir sair do meu ex-clube, o objetivo era ir pra Europa, mas sabia que seria difícil por não ter jogado o segundo semestre. Fiz um primeiro semestre muito bom, estive em todas as convocações, com possibilidade de ir para a Copa, mas infelizmente tive uma lesão três semanas antes. Quando finalizou tudo tive a sensação que 2019 seria um ano maravilhoso. Confiança que vestiria essa camisa e seria muito feliz.



EXTRA: Quando você percebeu que a escolha foi acertada?

Cheguei e vi um grupo muito diferente. Que sofreu muito em 2018. Acabei tendo uma relação boa por isso. O Flamengo brigou, brigou e não conseguiu ser campeão. Eu vi nos jogadores uma vontade muito grande. Cara, a gente tem um grande time, agora um time ainda melhor. Precisávamos deixar o nome marcado. E o ano passado foi difícil pra mim também. Foi o mesmo sentimento. Em 2019 senti isso, um grupo bom, trabalhador, que ajustando detalhes poderia brigar por coisas grandes. Isso me motivou. A gente foi crescendo. O time foi ganhando corpo, foram chegando jogadores de nível muito alto, ajudou a equipe a crescer, e estamos no caminho certo.

EXTRA: O Flamengo foi o único clube que o procurou?

Teve algumas sondagens do Brasil. Algumas possibilidades de fora, mas era empréstimo. E eu queria uma definição. Falei para meu empresário que não sairia do São Paulo para ser emprestado. Queria ser comprado por outra equipe, para ter uma segurança.



EXTRA: Você não queria voltar para o São Paulo?

Eu queria sair em definitivo. Meu ciclo tinha acabado. Já tinha isso em mente. Falei pra minha família: Preciso sair daqui. Deixei claro para meu empresário que queria sair em definitivo. Teve possibilidade de empréstimo para Europa, um ano, um ano e meio. Quando chegou a proposta do Flamengo de compra eu tomei a dianteira, e falei: ‘É isso que eu quero’. Eles estão com confiança em mim, comprando percentual, acredidanto que eu vou vestir a camisa e dar conta do recado. Segui esse caminho e estou muito feliz.

EXTRA: E como volta a pensar em Europa com cinco anos de contrato pela frente?

Já me frustei muito com esse pensamento. É o sonho de todo jogador. O jovem que falar que não quer ir pra Europa é mentira. Mas tinha um momento em que eu ficava pensando muito nisso, e isso me atrapalhava. Hoje estou adaptado no clube, consegui me firmar, fui reconhecido pela torcida e pela instituição, a confiança depositada em mim eu retribuí, mas cada jogo tenho que mostrar meu valor. Meu pensamento é mostrar meu potencial, jogar em alto nível, estar feliz, o que vai acontecer depois não cabe a nós, está além de nós. Procuro focar no presente, no hoje, se estiver em alto nível vão abrir muitas portas. Mas o pensamento é focar no Flamengo, honrar essa camisa, e, o mais importante, vencer.



EXTRA: O Flamengo se tornou o clube ideal para voltar à seleção?

Sim. Tenho esse objetivo de voltar para a seleção. Fico triste pelo calendário atrapalhar o treinador da seleção. Ele respeita as equipes, convoca um ou dois para não prejudicar o campeonato, mas a gente fica triste, jogador em alto nível daqui pode não ser convocado. Temos um time muito bom, em que vários jogadores poderiam ser convocados, mas o calendário não permite, e atrapalha o jogador também.

EXTRA: Te atrapalha, né. Mas qual seu grau de ansiedade?

Mínimo possível. Eu coloquei na cabeça que, da mesma forma que a Europa, eu fiquei com a seleção na cabeça, que tinha que ir, eu vou, eu vou, ai aconteceu a lesão, e foi um momento muito triste pra mim. Eu não sabia o que tinha machucado, sentia dor forte no pé, fiz os exames e não via o que era, depois vi com especialista que era lesão de ligamento. Fiquei parado, não jogava, por várias situações, me frustrei. Hoje eu penso no agora, em jogar, ser feliz, deixar acontecer naturalmente, nada de ficar vidrado nisso. Quando não acontece você se frustra.



EXTRA: Como o Rodrigo Caio, que começou em Dracena, interior de São Paulo, virou "garoto de condomínio" (como foi chamado por conselheiro do clube) ?

Muitos não conhecem minha trajetória. Hoje olham para mim e falam que o Rodrigo Caio é isso, aquilo. Eu com oito, nove anos comecei na escolinha da minha cidade. Meu pai tinha um mercadinho, minha mãe era professora. Em muitos momentos não tinham condição de bancar viagem, mas sempre tive apoio total deles. Quando fiz a primeira peneira no São Paulo, com 11 anos, passei, fui o único de quatro garotos. Permaneci fazendo testes, mais quatro ou cinco, e com 12 anos fui alojar. Quando alojei, tive uma conversa com meu pai, eu ficava com ele no mercadinho pra ajudar, com meu irmão, e falei que sabia o esforço que ele fazia pela gente. Disse que meu primeiro contrato eu daria uma casa pra ele e uma vida melhor. Fui emancipado com 16 anos, assinei meu primeiro contrato, recebi minha luva, salário maior, e consegui comprar uma casa para meus pais.



EXTRA: Então você nunca morou em condomínio?

Pelo contrário. Nem gosto de falar disso. Tive vida difícil como todos têm. Mas não gosto que achem que estou dando de coitado. Tenho orgulho do que eu sou, de quem eu era, do esforço dos meus pais. E do que eu me tornei. Morávamos de aluguel. Quando fui para São Paulo minha mãe foi transferida de Dracena para Itapevi, para eu fazer testes. Fomos morar na casa da minha avó para economizar o aluguel. Lembro de tudo com muito carinho. Muitas vezes somos taxados sem as pessoas conhecerem a nossa história.

EXTRA: Você sofreu algum tipo de preconceito no começo?

Muitas pessoas não falam, mas pensam. E falam pro companheiro do lado. Olhavam para mim, chamavam de playboyzinho, isso e aquilo. Não sabiam o que eu passei. Mas eu também não ligava para o que falavam, eu sabia da minha vida, porque eu estava ali, meus sonhos e objetivos.



EXTRA: E quando vingou no futebol também foi assim?

Em alguns momentos as pessoas brincavam. Na base é mais real. Na base tem os meninos do interior e os meninos da capital. Ah, é da capital, tem mais condições. Tinha um pouco, mas com menos frequência. No profissional aconteceu de um cara falar isso, mas passou batido. Naquele momento fiquei chateado, ainda mais pela minha família.

EXTRA: E como está a vida no Rio com a família?

Já conhecia, fui na praia quando fiquei aqui. Mas em oito meses no Flamengo ainda não fui. Não tenho costume, nunca fui muito fã. Vou no shopping, cinema, jantar, mas sou muito caseiro. Assisto filme, muito tempo em concentração. Morei dois anos dentro de CT quando subir pro profissional.



EXTRA: Como se relaciona com as questões da cidade onde vive? O país como um todo?

As vezes você pega um taxista e vê isso. Procuro perguntar bastante. São coisas que a gente acaba não vivendo, estamos num lugar que dificilmente acontece isso, mas é uma preocupação grande. Um lugar tão bonito como o Rio de Janeiro, mas em alguns lugares, em alguns momentos, as pessoas faam coisas, a gente não vive isso, e fica pensando em quem está no meio dessas tragédias. Morei muito tempo em São Paulo, e também tem. Graças a Deus nunca tive episódio de violência, mas tenho amigos que viveram, em lugares badalados. É de lamentar. Tem que tentar ajudar, mas é difícil, foge do nosso controle.

EXTRA: Acompanha os acontecimentos políticos?

Acompanho, mas não tanto. Notícias de esporte e de outras coisas dificilmente assisto. Quando é mais jovem vê programa esportivo, até notícia, mas procurei filtrar bem, fico um pouco por fora às vezes, mas acompanho nos sites. E fico por dentro. Hoje em dia as pessoas se comunicam de outras formas e você fica mais por dentro.



EXTRA: Recomenda alguma série?

Sim, gostei de Spartacus. Gosto de filmes de guerra.

EXTRA: E a vida de casado?

Casei há três meses. Tenho planos de ter filhos, mas a esposa quer casar na igreja primeiro, não quer entrar grávida na igreja. Esse é o nosso pensamento, para não atropelar as coisas. Queremos curtir a vida de casado.


Fonte: https://extra.globo.com/esporte/flamengo-cura-frustracoes-de-rodrigo-caio-que-diz-ter-sido-tachado-de-playboy-na-base-23947642.html

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