Caso Rojo: Flamengo ganha argumento com punição semelhante aplicada ao Barcelona de Guayaquil na Libertadores

 

A reclamação do Flamengo contra a utilização de Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal da Copa Libertadores ganhou um novo elemento de discussão: o precedente envolvendo o Barcelona de Guayaquil, punido pela CONMEBOL em 2019 após escalar um jogador cuja inscrição foi considerada irregular. O episódio ocorrido há sete anos voltou à pauta por apresentar semelhanças com o questionamento apresentado pelo Rubro-Negro.

O Flamengo contesta a participação do zagueiro argentino na partida decisiva da semifinal e pede que a entidade sul-americana analise a regularidade da escalação. O clube sustenta que já havia manifestado sua posição antes do confronto e formalizou a reclamação após o jogo.

Barcelona de Guayaquil foi punido pela CONMEBOL em 2019

O caso que serve de referência aconteceu na segunda fase preliminar da Libertadores de 2019. Na partida de ida, disputada no Uruguai, o Barcelona de Guayaquil venceu o Defensor Sporting por 2 a 1 e parecia ter conquistado uma vantagem importante para avançar na competição.

Entretanto, o resultado acabou alterado fora de campo. O Defensor Sporting apresentou uma reclamação à CONMEBOL, alegando que o colombiano Sebastián Pérez havia sido inscrito fora do prazo estabelecido pelo regulamento.

Após analisar o protesto, a entidade aceitou a contestação e aplicou a derrota administrativa por 3 a 0 ao Barcelona de Guayaquil, com base no artigo 19.1 do Código Disciplinar da CONMEBOL.

A decisão mudou completamente o cenário do confronto. No jogo de volta, o time equatoriano venceu por 1 a 0, mas o resultado não foi suficiente para reverter a desvantagem criada pela punição. Dessa forma, o Barcelona acabou eliminado da Libertadores.

Flamengo questiona escalação de Marcos Rojo

A situação envolvendo o Estudiantes apresenta pontos de semelhança com o episódio de 2019. A inscrição de Marcos Rojo havia sido rejeitada inicialmente pela CONMEBOL, mas o clube argentino recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e conseguiu uma autorização provisória para utilizar o defensor na semifinal contra o Flamengo.

Com a liberação, Rojo entrou em campo no confronto decisivo. O Flamengo, por sua vez, já havia comunicado ao tribunal que apresentaria uma reclamação caso o jogador fosse escalado, conforme relatado pelo próprio clube em nota oficial.

Após a partida, o Rubro-Negro formalizou a contestação e solicitou que o caso fosse analisado antes da final da competição. Entre os pedidos está a aplicação de uma derrota administrativa por 3 a 0 ao Estudiantes, caso seja reconhecida uma irregularidade punível na escalação do zagueiro.

Precedente pode fortalecer argumento do Flamengo?

O episódio envolvendo Barcelona de Guayaquil e Defensor Sporting é relevante porque demonstra que a CONMEBOL já aplicou uma derrota administrativa por 3 a 0 em uma partida da Libertadores após reconhecer uma irregularidade na inscrição de um atleta.

No entanto, existem diferenças jurídicas importantes entre os dois casos. Em 2019, a punição esteve relacionada à inscrição de Sebastián Pérez fora do prazo regulamentar. Na situação atual, Marcos Rojo obteve uma autorização provisória do CAS, circunstância que deverá ser considerada na análise da reclamação rubro-negra.

Por isso, o precedente não significa que o Estudiantes será automaticamente punido. A CONMEBOL precisará examinar as regras aplicáveis, as circunstâncias da autorização concedida ao jogador e os efeitos jurídicos dessa decisão sobre a responsabilidade do clube argentino.

Decisão pode mudar o finalista da Libertadores

O Flamengo busca uma definição antes da decisão continental e espera que a reclamação seja analisada pelas autoridades competentes. Caso a entidade reconheça uma infração que justifique a derrota administrativa, o resultado da semifinal poderá ser alterado, com possíveis consequências para a classificação à final.

Por outro lado, se a contestação for rejeitada, o Estudiantes manterá sua classificação, conforme o resultado esportivo, sem prejuízo de eventuais recursos cabíveis.

O caso Marcos Rojo, portanto, reacende o debate sobre a aplicação dos regulamentos da CONMEBOL e a responsabilidade dos clubes na inscrição de jogadores. Para o Flamengo, o episódio de 2019 representa um precedente importante a ser considerado, mas o desfecho dependerá da análise específica dos fatos e dos efeitos da autorização concedida pelo CAS.


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