Após 3 a 0 no Botafogo, Flamengo admite problema que já havia aparecido contra o Cruzeiro


A vitória sobre o Botafogo recolocou o Flamengo em posição mais favorável na briga pela liderança do Brasileirão, mas também expôs uma questão que já preocupa internamente: a dificuldade da equipe para manter o mesmo nível de atuação depois do intervalo. O Rubro-Negro venceu o clássico por 3 a 0 no Maracanã, chegou aos 48 pontos e reduziu para quatro pontos a distância para o Palmeiras, que empatou com o Mirassol.

A partida, porém, voltou a apresentar um roteiro conhecido. Depois de controlar amplamente a primeira etapa, o Flamengo diminuiu o ritmo no segundo tempo, permitiu que o adversário crescesse e precisou suportar momentos de pressão antes de definir o placar nos minutos finais.

Flamengo domina, mas perde força após o intervalo

O primeiro tempo contra o Botafogo foi de amplo domínio rubro-negro. Samuel Lino abriu o placar aos 12 minutos, mas o Flamengo criou oportunidades suficientes para construir uma vantagem maior antes do intervalo.

A falta de eficiência, entretanto, manteve o rival vivo. O Botafogo retornou para a segunda etapa com uma postura mais agressiva, adiantou suas linhas e passou a explorar principalmente os cruzamentos para a área. O Flamengo, por sua vez, perdeu fluidez na saída de bola e teve dificuldades para recuperar o controle do meio-campo.

O cenário chamou atenção porque não foi um episódio isolado. A oscilação já havia aparecido na derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro, e também na vitória sobre o próprio time mineiro pelas oitavas de final da Libertadores.

Para Léo Ortiz, o problema precisa ser encarado com seriedade. O zagueiro reconheceu que a diferença entre as duas etapas foi grande demais e afirmou que a equipe não pode repetir esse comportamento em uma competição tão equilibrada.

Léo Ortiz admite preocupação e cobra evolução

Após o clássico, o defensor destacou que o Flamengo teve uma atuação praticamente perfeita na primeira metade, mas caiu de produção de maneira significativa depois do intervalo.

Segundo Ortiz, a comissão técnica e os jogadores já identificaram que a situação vem se repetindo e estão trabalhando para encontrar uma solução. O zagueiro também ressaltou que simplesmente pedir concentração na volta para o segundo tempo não tem sido suficiente.

A preocupação aumenta justamente pela disputa com o Palmeiras. Com poucos pontos separando os dois clubes, qualquer perda de controle durante uma partida pode representar um prejuízo importante na corrida pelo título.

O empate do Palmeiras com o Mirassol, por 1 a 1, acabou dando ao Flamengo uma nova oportunidade de encurtar ainda mais a diferença.

Jardim explica por que os adversários ganham confiança

Leonardo Jardim também analisou a oscilação e apresentou uma leitura diferente de uma simples queda de concentração ou relaxamento dos jogadores.

Para o treinador, quando o Flamengo domina completamente uma partida, cria várias oportunidades, mas não transforma essa superioridade em gols, o adversário começa a acreditar que pode sobreviver ao período de pressão. Essa confiança pode mudar o comportamento da equipe que está sendo sufocada.

Foi justamente o que aconteceu diante do Botafogo. O Flamengo teve volume suficiente para ampliar a vantagem ainda no primeiro tempo, mas levou apenas 1 a 0 para o intervalo. Na volta, o rival cresceu e obrigou o Rubro-Negro a adotar uma postura mais cautelosa.

Jardim também ressaltou a importância de contar com opções de qualidade no banco de reservas. A resposta definitiva veio justamente na reta final, quando Samuel Lino voltou a marcar aos 40 minutos e Carrascal fechou o placar aos 43.

Ayrton Lucas reconhece dificuldades

Ayrton Lucas seguiu a mesma linha de raciocínio ao comentar o desempenho. O lateral admitiu que a equipe tenta manter a concentração durante os 90 minutos, mas reconheceu que isso nem sempre acontece.

O jogador também destacou que o futebol exige momentos de resistência. Para ele, não é possível atacar durante toda a partida e, apesar das dificuldades enfrentadas no segundo tempo, o mais importante foi conseguir suportar a pressão e confirmar os três pontos.

A vitória, portanto, serviu para o Flamengo reagir imediatamente depois da derrota para o Cruzeiro, mas não eliminou uma preocupação que vem acompanhando o time em partidas recentes.

Vitória aproxima o Flamengo do Palmeiras

O resultado diante do Botafogo ganhou peso ainda maior depois do tropeço do Palmeiras. O líder ficou com quatro pontos de vantagem sobre o Flamengo, que ainda possui uma partida atrasada no campeonato.

Agora, o Rubro-Negro terá uma oportunidade direta de diminuir ainda mais essa diferença. O compromisso contra o Mirassol está marcado para quarta-feira, 2 de setembro, às 19h30, no Maracanã, em duelo atrasado da quarta rodada.

Caso consiga confirmar a vitória, o Flamengo poderá ficar a apenas um ponto do Palmeiras na classificação.

Depois do confronto no Maracanã, o time de Leonardo Jardim terá outro compromisso fora de casa. No domingo, 6 de setembro, enfrentará o Remo, em Belém, pela sequência do Campeonato Brasileiro.

Assim, a sequência que se inicia contra o Mirassol pode representar uma mudança importante na disputa pela liderança. Ao mesmo tempo, o Flamengo terá de encontrar uma maneira de transformar o domínio apresentado em boa parte dos jogos em atuações mais equilibradas durante os 90 minutos — principalmente para evitar que uma vantagem construída na primeira etapa volte a se transformar em sofrimento no segundo tempo.


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