terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Flamengo dispara e lidera com folga ranking de faturamento de clubes para 2022




Por Rodrigo Mattos | Uol: As previsões de receitas dos orçamentos para 2022 no futebol brasileiro indicam uma liderança folgada do Flamengo. Na sequência, Palmeiras e Corinthians têm expectativa de rendas próximas. O Atlético-MG aparece em segundo lugar no ranking de faturamento, mas graças à possibilidade de venda de parte do shopping, dinheiro que não seria usado no futebol. 



Durante o mês de dezembro, os clubes tiveram aprovados seus orçamentos para o próximo ano nos Conselhos Deliberativos. Nem todos, no entanto, divulgaram esses números publicamente. Foi possível levantar os números nos próprios documentos ou em matérias jornalísticas.

A maior parte dos clubes tem uma previsão de aumento na receita por causa da volta da bilheteria e o incremento do sócio-torcedor, depois de aprovada a volta do público em meio à pandemia. Em compensação, há clubes que tiveram premiações altas em competições em 2021, como Palmeiras e Atlético-MG, e então dependem de repetir o desempenho para manter parte do faturamento. 



Além disso, os clubes já estimaram R$ 1 bilhão em vendas de jogadores, como mostrado pelo UOL. Essa renda é variável, portanto, incerta. 

Veja abaixo os números e explicações dos principais clubes:

Flamengo 

O Flamengo estima a receita em R$ 1,033 bilhão em 2022, próxima ao que obteve no ano de 2021. Esse valor é possível porque há uma estimativa de aumento de renda de marketing de R$ 77 milhões, e de bilheteria e sócio-torcedor, da ordem de R$ 100 milhões. A venda de jogadores prevista é de R$ 186 milhões. 

A despesa total projetada pela diretoria rubro-negra é de R$ 611 milhões, o que é R$ 61 milhões maior em relação ao ano anterior. Não há discriminação do gasto com futebol, mas o clube continuará a ter o maior orçamento no departamento no país. Ainda assim, prevê superávit de R$ 185 milhões e redução da dívida líquida. 



Atlético-MG 

Oficialmente, o Atlético-MG tem o segundo orçamento do país em receita: R$ 821 milhões. Mas, desse total, R$ 350 milhões são de receitas patrimoniais por causa da possibilidade de revenda da segunda metade do shopping Diamond Mall. Esse valor não tem previsão de ser usado em operação de futebol, e, sim, para dívidas, tanto que também é contabilizado como despesa. Sem esse montante, a receita do Galo é estimada em R$ 471 milhões. 

No total, o clube projeta um gasto com o futebol de R$ 447 milhões. É um valor bem alto em relação à renda de fato do clube. Assim, o superávit previsto é de R$ 4,2 milhões. Neste cenário, o Galo depende do shopping para gerar caixa para reduzir a dívida que supera R$ 1,2 bilhão.



Palmeiras 

Dos números conhecidos do orçamento alviverde, a previsão de receita líquida é de R$ 625 milhões. Com esse valor, será capaz de gerar um superávit de R$ 14 milhões. Para isso, terá de vender R$ 133 milhões em jogadores. Não há dados sobre custo do futebol, nem discriminação da receita porque o orçamento não foi divulgado. 

O Palmeiras costuma fazer um orçamento conservador, e o patamar previsto para 2022 é similar ao de anos anteriores. Só há o incremento relacionado à bilheteria e ao Avanti, que cresceu. Em 2021, o clube recebeu duas premiações de campeão da Libertadores e, por isso, vai ultrapassar R$ 900 milhões em receita. Será difícil repetir no próximo ano.



Corinthians 

O Corinthians tem uma previsão de receita bruta de R$ 598,7 milhões. Houve uma aproximação em relação ao rival Palmeiras, até porque o clube voltou a prever bilheteria, na casa de R$ 70 milhões. A previsão de superávit é de R$ 10 milhões, o que deixa pouca margem para redução da dívida líquida que é próxima de R$ 1 bilhão (não houve queda no valor durante a gestão de Duílio Monteiro Alves). 

Até porque o custo do futebol previsto é de R$ 440 milhões, bem próximo ao do Atlético-MG, que tem um dos times mais caros do país. Pelo orçamento apresentado, há aumento no gasto com pessoal de R$ 44 milhões do ano passado para 2022. Isso se explica por contratações caras como Roger Guedes, Willian, Renato Augusto, Giuliano e Paulinho. Ou seja, a queda verificada no início de 2021, alardeada pela diretoria alvinegra, foi revertida.



Internacional 

A projeção do Inter é de uma receita de R$ 420 milhões, com cerca de um terço deste valor com vendas de jogadores (R$ 120 milhões). O custo do futebol é de R$ 237 milhões, abaixo dos outros concorrentes. Há uma previsão de um superávit de R$ 7 milhões. 

São Paulo 

Sem divulgar o orçamento, o São Paulo projetou uma receita próxima dos R$ 400 milhões. Desse total, de novo, o clube projeta arrecadação significativa com venda de jogadores, R$ 142 milhões. Pelos números que foram divulgados, não dá para saber se o clube tem algum plano de redução da dívida na casa de R$ 600 milhões.



Grêmio 

Com a queda à Série B, o Grêmio prevê uma receita de R$ 294 milhões em 2022. Isso representa uma redução em torno de R$ 200 milhões do que deve ser o número ao final de 2021. Há queda em renda de televisão principalmente, visto que o clube só passa a contar com o pay-per-view. O clube continuará dependente de venda de atletas. 

Como mantém um controle orçamentário, o Grêmio reduziu despesas com o futebol e gastará R$ 213,8 milhões, segundo o documento. Com isso, prevê uma situação de equilíbrio com pequeno superávit de R$ 400 mil. 



Santos 

O Santos tem uma previsão de receita de R$ 293 milhões. O valor pode ser maior porque o clube fez uma estimativa bem conservadora de venda de jogadores (R$ 76 milhões) considerando a sua capacidade de revelar atletas. 

A gestão de Andrés Rueda tem estabelecido um controle rígido de gastos para reduzir as dívidas deixadas pelos antecessores. Por isso, a despesa com o futebol prevista é de R$ 145 milhões. Com isso, será possível gerar um superávit de R$ 20 milhões.



Botafogo 

De volta à Série A, o Botafogo terá um salto na receita: a previsão é de R$ 192 milhões. Mas a despesa do clube também aumentará e atingirá R$ 191 milhões, praticamente o valor integral arrecadado, segundo matéria do "Globo Esporte". Neste cenário, o superávit é insuficiente para redução da dívida na casa de R$ 1 bilhão. 

Mas o clube já constitui sua SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e tem um acordo não-vinculante com o investidor norte-americano John Textor para possível compra. O alívio financeiro vai depender do andamento deste negócio.



Vasco 

O orçamento inicial do Vasco tem previsão de receita de R$ 173 milhões com a permanência na Série B. Mas o documento ainda não foi aprovado por pendências levantadas em reunião do Conselho. O clube estima que as despesas vão superar esse valor, o que levará à necessidade de contrair empréstimos. 

O investimento no futebol previsto é de R$ 78 milhões, o que permite uma folha salarial na casa dos R$ 3 milhões. O diretoria do clube afirmou ao Conselho que seria uma das maiores folhas da Série B. 



Ceará 

Em mais um ano na Série A, e com vaga na Sul-Americana, o Ceará projeta uma receita de R$ 163 milhões. Com poucas dívidas, o clube estima um gasto com o futebol de R$ 82 milhões. Assim, a previsão é que feche o ano em equilíbrio entre receitas e gastos.

Fortaleza 

Classificado à fase de grupos da Libertadores, o Fortaleza projeta o maior orçamento da sua história. A receita estimada é de R$ 141 milhões —só a competição sul-americana garante R$ 15 milhões. Isso possibilitaria um despesa no futebol de R$ 88 milhões, o que permitirá um crescimento do investimento para o time.

PS: Cruzeiro e Fluminense não tiveram números divulgados.


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Imagem: Gilvan de Souza

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