Dorival Júnior: 'Jamais vou me omitir quando sentir que tenho razão'



Aos 56 anos, Dorival Júnior ficou marcado por assumir grandes desafios em equipes que brigavam para não ser rebaixadas, como no próprio Flamengo, em 2012. E se orgulha de trabalhos que só deram retorno nas mãos de outro profissionais, como ocorreu no Santos, na Libertadores de 2011. Na ocasião, Dorival foi demitido após enquadrar Neymar.

Neste domingo, contra o São Paulo, o treinador espera continuar alimentando o sonho de título brasileiro. Para isso, deixou claro que a crise com o goleiro Diego Alves não pode atrapalhar.

O que te levou a assumir um desafio com só 12 jogos pela frente, duas eliminações recentes, ambiente eleitoral conturbado e nenhuma garantia de permanência?

Tenho consciência do contrato que assinei. Acompanhando as equipes do Brasileiro, num todo, sempre me agradou a maneira como o Flamengo jogava. Achava o trabalho do Maurício Barbieri muito bom. Sentia que algumas dificuldades se deviam ao calendário, à sequência. Como era uma equipe em que eu acreditava, olhei a tabela e vi que teria semanas importantes, achei que ajudaria de alguma forma. Para mim seria importante voltar ao Flamengo. Aguardava um dia acontecer, não nesse momento ou situação.

Que mexidas você fez no Flamengo, o que é sua mão no trabalho?

Aproveitamos essas semanas para ajustes. A equipe já era bem treinada, definida, com jogadores importantes, um elenco muito bom. Nos dá possibilidade de alguns mexidas e assimila rapidamente os ajustes. Todos os ajustes foram detalhes táticos: uma transição com velocidade maior, alguns movimentos de penetração. Tem que ter repetição do trabalho, e é isso que estamos incrementando. Tivemos o tempo que faltou antes. E foi importante para ver a equipe jogando jogos seguros, buscando o gol, criando pelo individual e pelas movimentações. Acreditaram nisso e as coisas começaram a fluir. Espero manter essa postura.

Você trocou o Vitinho de função?

Função, sim. Alguns comportamentos eu mudei em relação ao que eu via. Alterei posicionamentos defensivos, para no momento de retomar a bola os jogadores estarem mais próximos. Observava o Flamengo com muita posse de bola, fruto de um legado, e tentamos aproveitar isso, mas acima de tudo buscando infiltrações, triangulações, que o atleta atacasse mais espaços vazios. O Vitinho não precisava chamar para si toda a responsabilidade ofensiva.

Qual é a melhor posição para o Paquetá?

É a posição que todos nós queremos encontrar no futebol brasileiro. Ele pode ser um meia, um atacante, segundo volante. Tem todos esse quesitos que o fazem um jogador com chance de ocupar um espaço no futebol mundial. É completo em todos os sentidos. Tem que estar sempre estimulado, instigado. É difícil encontrar um meia como ele, com a capacidade que tem e o potencial a ser desenvolvido.

O futebol do Flamengo sempre passou pelo Diego. Quando ele não está, como dar o ritmo ao time?

Com aproximação e compactação. Uma presença maior dos laterais, se tornando jogadores de meio e centro, com maior movimentação dos atacantes maior, liberdade para os atletas de lado e bolas em projeção. O Diego tem capacidade muito grande de criação e de definição. Gostaria de vê-lo atuando mais com preocupação ofensiva. Ele precisa aproveitar mais, como o Hernanes, que foi fundamental no São Paulo.

Você o tem testado em outras funções, aberto…

Tenho testado em outras posições para ele perceber como é importante para o time. Ocasionalmente, ele está fora. Se ele guardar forças para ser determinante no momento final do campeonato, pode ser muito útil.

Quando é necessário impor a hierarquia em um vestiário?

A todo momento. Eu jamais vou me omitir de uma situação que eu sinta que eu esteja com a razão, e que o clube esteja sendo prejudicado. O clube tem que ser preservado e respeitado. O problema não pode se agravar, tem que tentar resolver o mais rápido possível.

Te surpreendem as reações do Diego Alves?

Isso está sendo tratado inteiramente e as partes serão respeitadas. Por isso evito qualquer comentário.

Se eu perguntar se você conta com o Diego Alves até dezembro, você tampouco vai responder?

Não.

Não conta?

Não, não vou responder.


Fonte: https://oglobo.globo.com/esportes/dorival-junior-tecnico-do-fla-jamais-vou-me-omitir-quando-sentir-que-tenho-razao-23209889

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