Por Mauro Cezar - O Flamengo viveu anos duros com times pífios, terríveis. Mal administrado, acumulou momentos ruins e passou temporadas seguidas como coadjuvante. A reconstrução foi iniciada em 2013 com a mudança de mentalidade administrativa da nova diretoria.
A partir do momento em que o grupo de jogadores é forte, o time que vai a campo deve jogar mais, ser exigido, evoluir. E ainda falta muito a esse Flamengo. Enxergar problemas é o que de melhor qualquer rubro-negro pode fazer. E mera obrigação para jornalistas.
Foi importante fazer 5 a 2 no esquálido Palestino, minúsculo time chileno que eliminou o campeão carioca da Sul-americana 2016. Em meio a puxado calendário, a equipe reserva inteirinha poderá fazer a peleja de volta sem grandes riscos, com titulares poupados.
Mas a construção do placar foi preocupante, com a conhecida falta de criação no primeiro tempo (0 a 0), que fez com que a bola fosse cruzada insistente e aleatoriamente. Foram 24 vezes antes do intervalo. O 1 a 0 veio no 25º cruzamento, Réver, meio sem querer.
No total o time dirigido por Zé Ricardo fez 35 cruzamentos em 90 minutos. Dependência? Zébol? Apenas para termos um paralelo, Grêmio, Palmeiras e Atlético Mineiro, juntos, cruzaram 33 vezes em seus jogos de Libertadores neste meio de semana.
Mas o Palestino virou com seus dois primeiros chutes certos. Então o Flamengo forçou, fez dois, três, quatro, cinco! Quem olha o escore constata um resultado satisfatório. Quem acompanhou os 90 minutos viu sustos desnecessários e defeitos a corrigir.
Cabe ao torcedor ficar feliz, mas se não quiser se iludir, entender que esse elenco pode e deve lhe oferecer mais. Zé Ricardo precisa trabalhar seus jogadores para que o time tenha as bolas alçadas como recurso, não a única arma como ocorre com certa frequência.
Éverton Ribeiro bateu o pênalti que fechou a goleada e marcou pela primeira vez pelo Flamengo
Entendo que há rubro-negros sofridos por anos de seca e vexames internacionais. No século já são sete eliminações em Libertadores, algumas de lascar, quatro na fase de grupos, sendo duas na atual administração. E teve a Sul-americana do ano passado.
Em meio a tantos fiascos, o mais fanático abre um sorriso com os 5 a 2 no Chile e fecha os olhos diante do que ainda está loge de ficar bom. Mas o papel de quem analisa futebol é entar abri-los, para que não deixe de vibrar, mas mantenha o espírito crítico.
Rubro-negros não podem esquecer o tamanho do Flamengo e o investimento feito. Compreender a capacidade do elenco e esperar que lhe ofereça bem mais do que uma goleada num fraco time chileno. Perceber que há jogos em que muito é pouco. Fonte: ESPN
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