Em uma das regiões mais conflituosas do planeta Terra, o amor pelo Flamengo se manifesta junto com a busca pela paz. O Líbano fica bem no coração do Oriente Médio e já sofreu com inúmeras guerras - no próprio território ou nos países vizinhos. Lá, a ONU mantém uma missão de paz - a Força Tarefa Marítima das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). Esta unidade é comandada desde 2011 por um almirante brasileiro. E, como não poderia deixar de ser, onde há brasileiros, há rubro-negros.
Oliveira conta que sua primeira ida ao país foi em 2011, tendo voltado à função em mais duas ocasiões. Nesta missão inaugural, nem a distância nem o fuso horário foram capazes de frear uma de suas maiores paixões: a pelo Flamengo.
"O Flamengo fazia uma boa campanha no Brasileiro de 2011. Tínhamos que arrumar um jeito de assistir aos jogos do Mengão", explica. "Nos organizamos e mesmo com o fuso horário jogando contra - os jogos das 22h de Brasília eram às 4h da madrugada em Beirute -, criamos o grupo para acompanhar os jogos. Fosse pela internet, com informações de amigos... O que fosse necessário para acompanharmos o Mengão. Com a classificação para a Libertadores 2012, a vontade só aumentou e o grupo foi sendo passado de Navio para Navio até hoje"
Os marinheiros brasileiros desempenham diversas funções no Líbano. A missão tem como objetivo vistoriar e impedir a entrada de armas ilegais e material semelhante no país, além de contribuir para o treinamento da Marinha local para que consigam realizar este trabalho ao fim da missão das Nações Unidas.
Eduardo explica que já foi mais difícil acompanhar as partidas.
"Até 2014 tínhamos a Globo Internacional, que passava alguns poucos jogos do Mengão. Na maioria das vezes, contávamos com amigos e familiares para repassar as informações. Hoje em dia, assistimos aos jogos pela BeIn Sports, uma das maiores empresas de TV do Oriente Médio. Eles passam os jogos do Brasileirão, Sul-americana, Carioca e Libertadores. Facilitou muito nossa vida", diz.
E a paixão pelo Flamengo é tão forte que transcendeu as barreiras internacionais. Como conta o marinheiro, os libaneses já começaram a fazer parte da Nação Rubro-Negra.
"Evidentemente, os libaneses que gostam de futebol, quando falam de times e do futebol brasileiro, lembram do Flamengo. Quase todos lá torcem para Barcelona ou Real Madrid, mas exploramos este espaço. Em nossas confraternizações, quando estamos de folga, sempre que podemos ostentar o Manto Sagrado o fazemos e os que não conhecem, sempre perguntam quando olham o 'mar rubro-negro'. São tantas as camisas do Mengão! Os que nos conhecem acabam por torcer pelo Fla só para verem a alegria nas vitórias", conta.
Ele diz que a maioria dos integrantes da Fla-Beirute são brasileiros, mas que há a presença de locais.
"Somos todos brasileiros, com um bom número de sócios-torcedores - que inclusive não cancelam, mesmo passando até mais de 9 meses fora do Brasil. Sou sócio torcedor desde 2013. Claro que, para acompanhar alguns jogos, nossos amigos libaneses se juntam e torcem. Um amigo nosso, o Joseph Hage Moussa, aprendeu a gostar do Mais Querido. Falta só a visita ao RJ para assistir o Mengão e ratificar!", brinca.
Curta nossa Página: Clique aqui
