sexta-feira, 24 de julho de 2020

Levantamento de dados, negociação direta e sem participação de atletas; como é o processo de seleção do novo treinador do Fla



Há uma semana a diretoria do Flamengo se faz a mesma pergunta que seus 42 milhões de torcedores. Quem poderá suceder o técnico Jorge Jesus? A resposta vem através de uma divisão de tarefas e papéis desempenhados por uma série de integrantes do clube.


O processo de seleção consiste em analisar o pacote que cada candidato a treinador oferece. Questões financeiras, táticas e comportamentais são levadas em consideração por quem faz as primeiras avaliações, antes de negociar e colocar uma proposta oficial na mesa.

O entendimento principal é que o novo comandante precisa se adequar ao modelo de jogo e à estrutura do Flamengo. Em síntese, manter o padrão de Jorge Jesus para a conquista de novos títulos. O que não parece nada fáci.


Mas quem participa desse debate? A linha de frente das negociações é sempre do vice de futebol Marcos Braz, que retoma protagonismo sempre que os processos de contratação se dão no Flamengo. Tanto que o dirigente foi o primeiro a pegar o avião e desembarcar na Europa nesta quinta-feira.

Com pouca experiência no futebol, o diretor executivo Bruno Spindel atua como um negociador financeiro. E é uma espécie de porta-voz dos anseios dos demais integrantes no processo de escolha. Especialmente do Conselho do Futebol, formado por três conselheiros do clube e o vice de relações externas, Luiz Eduardo Baptista, o Bap.


O grupo recebe análises sobre os treinadores que se adequam à filosofia do Flamengo, feitas pelos profissionais do Centro de Inteligência e Mercado. Mas o que pesa mesmo são os feedbacks do próprio meio, de empresários e advogados importantes, que já tem parceria com a diretoria rubro-negra em outras negociações.

O modus operandi, na prática, se dá com a união de todos esses fatores. O scout do clube elabora relatórios para embasar os dirigentes na análise das características dos profissionais em avaliação. Estilo de jogo por onde passaram, histórico de resultados e títulos, e avaliações de atletas com quem atuaram.


Dessa forma se partiu da ideia principal de contar com um estrangeiro, notadamente um português. E Carlos Carvalhal e Leonardo Jardim despontaram como favoritos. Ambos também teriam viabilidade financeira e estão sem contrato. Marcos Silva, outro português, não passou de fase nesses critérios. No mesmo sentido, a contratação de um treinador brasileiro é visto como improvável, e sequer está em avaliação. Sul-americanos como Miguel Ángel Ramirez seriam alternativas iniciais para o caso de um europeu não topar.

O elenco do Flamengo, recheado de jogadores com histórico na Europa, não tem participação direta na escolha do treinador. Em que pese a experiência de nomes como Rafinha, que trabalhou com Domènec Torrent, ex-auxiliar de Guardiola, outra opção do clube para o cargo. Os atletas são ouvidos, mas nas reuniões após a saída de Jesus não houve discussão sobre a reposição com os líderes do grupo. O que é de praxe, salvo raras conversas informais.


Feito o debate interno, colocadas na mesa as preferências individuais, Braz e Spindel partem para a negociação. Mas vale lembrar que todas as decisões precisam ter aprovação do presidente Rodolfo Landim, que assina o "cheque". O Conselho Diretor, que reúne todos os vice-presidentes, e costumava se reunir semanalmente, perdeu força nesse processo decisório. Em que a figura do CEO Reinaldo Belotti ganhou prestígio junto a Landim para dar o ok final em relação a situações financeiras e operacionalização dos gastos do clube.

No fim, a contratação do sucessor de Jorge Jesus precisará não apenas de um processo moderno e de talento nas tratativas, mas também de sorte para encontrar um nome de peso disposto a vir ao Brasil em um momento de moeda em baixa, pandemia e calendário atropelado por competições em sequência para salvar a temporada.


Fonte: https://oglobo.globo.com/esportes/como-flamengo-se-divide-para-escolher-sucessor-de-jorge-jesus-24547273

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