O Flamengo divulgou uma nota oficial neste sábado (24 de outubro) para esclarecer os bastidores da disputa jurídica envolvendo a inscrição do zagueiro Marcos Rojo, do Estudiantes de La Plata, na Copa Libertadores de 2026. O clube rubro-negro negou ter iniciado o procedimento que levou o caso às instâncias esportivas e explicou por que apresentou uma reclamação formal à CONMEBOL após a partida de volta da semifinal.
A manifestação acontece depois da eliminação do Flamengo para o Estudiantes, na última quinta-feira (22), no Maracanã. Após empate por 0 a 0 no tempo regulamentar, a equipe argentina venceu a disputa de pênaltis por 3 a 2 e garantiu vaga na final do torneio continental.
O Rubro-Negro, entretanto, contesta a participação de Rojo no confronto decisivo e pede que a entidade sul-americana analise a regularidade da escalação do defensor. O caso pode ter consequências esportivas, mas ainda depende de uma decisão dos órgãos competentes.
Flamengo afirma que não iniciou o caso e explica cronologia
Na nota, o Flamengo ressaltou que não participou das primeiras decisões sobre a inscrição de Rojo. Segundo o clube, o Estudiantes solicitou à CONMEBOL, em 9 de outubro, a inclusão do zagueiro na lista da Libertadores, utilizando a vaga de um jogador lesionado.
O problema, de acordo com a versão rubro-negra, é que a janela de inscrições na Argentina havia sido encerrada em 2 de setembro, enquanto Rojo ainda disputava partidas oficiais pelo Racing no fim daquele mês.
Após consultar a FIFA, a CONMEBOL recusou o pedido de inscrição em 14 de outubro e manteve a decisão no dia seguinte. Diante da negativa, o Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e incluiu o Flamengo no processo. O clube carioca afirma que só foi chamado a participar do caso em 16 de outubro.
CAS liberou Rojo, mas não afastou possíveis punições
Em 21 de outubro, às vésperas do segundo confronto da semifinal, o CAS autorizou provisoriamente a inscrição de Marcos Rojo. Entretanto, conforme a nota do Flamengo, o tribunal não concedeu ao Estudiantes a garantia de que a escalação do jogador estaria livre de eventuais consequências esportivas ou disciplinares.
O Flamengo sustenta que comunicou previamente ao CAS e ao clube argentino que apresentaria uma reclamação caso o defensor entrasse em campo. Rojo foi escalado no Maracanã, e o Rubro-Negro formalizou o questionamento após a partida, dentro do prazo previsto no regulamento.
A diretoria afirma que sua iniciativa busca preservar os direitos do clube e assegurar que as normas da competição sejam aplicadas de maneira igualitária.
Flamengo quer decisão antes da final da Libertadores
A reclamação apresentada pelo Flamengo à CONMEBOL busca contestar a utilização do zagueiro argentino no jogo de volta da semifinal. De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, o clube solicita que seja aplicado o regulamento disciplinar que prevê, em determinadas situações de escalação irregular, a derrota por 3 a 0.
Se o pedido for acolhido, o resultado poderá alterar a classificação para a final da Libertadores. No entanto, não existe, até o momento, decisão definitiva que reverta a eliminação do Flamengo. O Rubro-Negro perdeu nos pênaltis por 3 a 2, depois de dois empates sem gols na semifinal.
O Estudiantes, por sua vez, sustenta que cumpriu os procedimentos e os prazos aplicáveis e se apoia na autorização provisória concedida pelo CAS. Segundo informações publicadas neste sábado, o clube argentino deverá apresentar sua defesa à CONMEBOL até as 18h de segunda-feira, 26 de outubro.
Também foi divulgada a informação de que o CAS deverá analisar o caso em 12 de novembro, 16 dias antes da final da Libertadores, prevista para 28 de novembro, em Montevidéu. O andamento e os prazos definitivos do processo ainda dependem das instâncias responsáveis.
Clube diz confiar nas instituições do futebol
Na parte final do comunicado, o Flamengo reafirmou seu respeito à CONMEBOL, ao CAS e ao próprio Estudiantes. O clube declarou que aguardará a decisão final com serenidade e espera que os regulamentos sejam respeitados por todos os participantes.
A diretoria também rejeitou a interpretação de que estaria tentando obter uma vantagem esportiva fora de campo. Na avaliação rubro-negra, o questionamento está relacionado à aplicação das regras que regem a Libertadores.
O caso agora entra em uma etapa decisiva: a CONMEBOL precisará avaliar os argumentos apresentados pelo Flamengo e a defesa do Estudiantes antes de determinar se houve alguma infração passível de punição.
Até que exista uma decisão oficial, a classificação argentina para a final permanece mantida.
Veja a nota na integra:
NOTA OFICIAL O Clube de Regatas do Flamengo esclarece que não deu início a nenhum procedimento relativo à inscrição do atleta Marcos Rojo pelo Club Estudiantes de La Plata na CONMEBOL Libertadores 2026. Em 9 de outubro, o Estudiantes solicitou à CONMEBOL a inclusão do atleta em sua lista para a semifinal, em substituição a um jogador lesionado. O período de inscrições ("janela de transferências") na Argentina estava encerrado desde 2 de setembro, e o atleta havia disputado partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro. A CONMEBOL, organizadora da competição, que sempre zelou com rigor pelo cumprimento de seus regulamentos e pela integridade de seus torneios, analisou o pedido e consultou a FIFA. A FIFA esclareceu que suas regras sobre períodos de inscrição são de aplicação obrigatória também nas transferências nacionais e não admitem exceções além das previstas em seu regulamento. Com base nisso, a CONMEBOL recusou a substituição em 14 de outubro e manteve a recusa em 15 de outubro, ou seja, antes do jogo de volta da semifinal. Essas regras são de observância obrigatória por todas as associações e conhecidas e aceitas por todos os clubes ao se inscreverem no torneio. O Flamengo não participou de nenhuma dessas etapas. Inconformado, o Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) e indicou o Flamengo, seu adversário na semifinal, como parte no processo. Foi assim, em 16 de outubro, que o Flamengo foi chamado ao caso. Em 21 de outubro, o CAS autorizou provisoriamente a participação do atleta, mas negou o pedido do Estudiantes para afastar as consequências esportivas e disciplinares que possam decorrer da decisão final. Os riscos dessa escolha ficaram com o clube argentino e o jogador. Chamado a integrar um processo que não iniciou, o Flamengo agiu apenas para preservar seus direitos. Antes da partida semifinal, informou ao CAS, em manifestação também comunicada ao Estudiantes, que, se o atleta fosse escalado, apresentaria a reclamação prevista no regulamento. O clube argentino, portanto, entrou em campo ciente dessa consequência, além do alerta já feito pelo próprio CAS. Após o jogo, o Flamengo apresentou a reclamação dentro do prazo, nos termos do artigo 24.1.b do Código Disciplinar da CONMEBOL, e pediu que o caso seja decidido antes da final da competição. Portanto: (i) antes do jogo de volta da semifinal, a CONMEBOL, após consulta à FIFA, negou por duas vezes o pedido do Estudiantes para inscrever o atleta; (ii) foi o Estudiantes quem recorreu ao CAS para obter a liberação do atleta, incluindo o Flamengo como parte no processo; e, (iii) antes do jogo, o CAS negou ao Estudiantes a pretendida garantia de que a escalação do atleta não traria consequências esportivas e disciplinares. Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países. O Flamengo reitera seu profundo respeito ao CAS e à CONMEBOL, instituições cuja atuação é essencial para a integridade, a segurança jurídica e o equilíbrio do futebol internacional, bem como ao Estudiantes, clube de reconhecida tradição. Confiante na condução responsável e criteriosa do processo por parte da CONMEBOL, o Flamengo aguardará com serenidade a decisão final e a acolherá com o respeito institucional que sempre pautou sua atuação e que espera de todos os participantes.
— Flamengo (@Flamengo) October 24, 2026
