segunda-feira, 1 de abril de 2019

De volta, Abel mira o Peñarol e brinca com emoção no Flamengo na final: "Não precisava ser tanta"



Depois do susto na semifinal da Taça Rio, Abel Braga voltou a trabalhar recuperado do procedimento no coração a que precisou ser submetido na última sexta-feira. Nesta segunda, o técnico do Flamengo retornou ao Ninho do Urubu para comandar a atividade do dia e teve uma tarde diferente: longas conversas, homenagem, treino integralmente aberto para a imprensa e até uma rara entrevista coletiva no CT nesses primeiros meses do ano. Bem-humorado, brincou ao ser questionado sobre a emoção na final do returno e exaltou a postura dos jogadores:



– Não precisava ser tanta (risos). Aquele jogo começou a ser preparado quarta-feira, quando eu já tinha dito no vestiário para aquela equipe que eles todos fariam tudo para chegar à final, e que outra equipe iria jogar. Não foi nada de forma premeditada, impensada, foi tudo muito bem colocado dentro dos prós e contras, naquilo que pretendíamos para a semana – disse, elogiando:

– Você quer coisa mais importante do que a vitória ontem? Foi ver todos os titulares presentes na partida, sem ninguém ter pedido absolutamente nada. Eles combinaram entre si de irem assistir ao jogo. O torcedor tem que se orgulhar desse grupo até então. Não é imbatível, invencível, não vai ganhar tudo como se fala, mas eles podem sentir orgulho. Os valores morais estão muito altos.



Diante das câmeras, o treinador agradeceu pelas "centenas e centenas de mensagens" que recebeu desde que passou mal na final da Taça Rio e precisou ser internado no hospital, e revelou uma do técnico do Vasco, Alberto Valentim. Abel também já se "escalou" para voltar aos jogos nesta quarta-feira, contra o Peñarol, do Uruguai, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã, pela Libertadores.


Confira outros trechos da coletiva:

PRIMEIRO DIA FORA DO HOSPITAL
– Acordei tranquilo por estar em casa, a previsão de alta era domingo, então já ganhei o sábado. Cheguei em casa, fui ver meus seriados, ler meus livros, fizemos um almoço em família e ficamos assistindo ao jogo, todos bem vestidos (risos). É assim nossa vida, um dia está aqui, outro ali, temos que procurar sempre se identificar com a cultura em que está. Isso você tem que medir. Hoje falei para um jogador meu: "O momento é muito bom, só quero que lembre que onde você já esteve existia uma distância para a seleção brasileira. Hoje, no Flamengo, a distância é muito menor". A gente vai conversando, mostrando pela experiência o que é estar em um clube desse tamanho.

VOLTA AO NINHO
– Muito bem, vocês devem ter percebido, liberei até o treino para vocês (risos). Às vezes é bom fazer isso parar vocês conseguirem fazer uma analogia daquilo que se vê no jogo e no treino. Hoje mais uma vez esse treino terminei um pouquinho antes, porque os sete, oito minutos antes do término já tínhamos chegado ao objetivo que entendíamos. É um grupo espetacular de trabalhar. (...) Essa equipe disputou esse jogo porque essa que joga contra o Peñarol jogou quarta-feira, contra um adversário de muito valor, e conseguiu buscar o resultado. Essa tem sido a tônica, a gente não faz previsão de até quando vai ou de até onde vai, mas temos consciência de tentar melhorar sempre.



VALORES MORAIS
– Falei para eles isso, dos valores. Expliquei a eles que quando largo uma equipe e fico sem clube, porque não gosto de pegar outra no meio de competição. Porque a filosofia, a forma de comandar, de olhar o jogador, é diferente. Não foi criada para o meu perfil. Tentei fazê-los entender quantas e quantas vezes olhássemos nos olhos, chegássemos a esse ponto, a essa recíproca grande de confiança. Eu acredito neles, e eles em mim. Isso vem com o tempo, com situações adversas, tivemos uma derrota até agora no ano.

Técnico recebeu de Rhodolfo a camisa usada na comemoração da Taça Rio — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
Técnico recebeu de Rhodolfo a camisa usada na comemoração da Taça Rio — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

AGRADECIMENTOS
– Famílias, amigos, uma série de pessoas que nem sei como conseguiram meu telefone. Foram centenas e centenas de mensagens. (...) Quero deixar um agradecimento às palavras após o jogo do Alberto (Valentim). Ele pediu a um membro da comissão técnica que me passasse. Um abraço garoto. Foi meu atleta, sempre foi de um caráter elevado. Continue fazendo esse trabalho bonito que está fazendo do Vasco.

EVOLUÇÃO DA EQUIPE
– No campo eles tinham menos 40 metros, mas tem que buscar alto, com toques de bola limitado, mas sempre pressionando o adversário na perda de bola. Isso custou um pouquinho de tempo, você não muda uma filosofia da noite para o dia. Pior é quando você entra nessa fase de jogos quarta e domingo, se ficar repetindo sempre a mesma equipe ela joga, mas está destreinada. Esse é o motivo de você em alguns momentos correr riscos. O futebol já é risco, aí na decisão você entra sem titular, os riscos são muito maiores, as críticas contundentes... Mas era o melhor para o clube, para a equipe, para o atleta. Eles estão entendendo isso. Acho que tivemos um nível de evolução muito bom, precisamos melhorar em alguns aspectos e estamos procurando isso à cada dia.



"ALMA RUBRO-NEGRA"
– Chegamos aqui querendo procurar o motivo, tentar melhorar o que sentiu que não foi legal em tempos anteriores. Faltava alguma coisa, coloquei isso para eles, mas falei que tínhamos que fazer um pouco mais. Uma torcida que coloca à cada jogo 50 mil pessoas no estádio, além de vencer e jogar bem, é fundamental para esse tipo de torcida, de grande massa, a maior do país, nação, essa coisa toda, Você que está ligada, querendo passar em cima. Não sei se vai conseguir, mas você está sentindo e vendo o que se pretende, uma pegada muito boa, diminuição de espaços, marcação muito rápida na perda de bola... Essas coisas mudaram e aumentaram a confiança do grupo. Futebol você só vai conseguir atingir o mais perto do nível quando tem confiança.

PEÑAROL
– Esse jogo vai mexer, o Peñarol é uma equipe muito forte a nível de Libertadores, eles tiveram uma melhora acentuada depois da derrota para a LDU, conseguiram uma vitória importante em casa contra o San José. O jogador uruguaio é muito forte na maneira de encarar as partidas, à cada bola. Nós sabemos disso tudo, mas vamos tentar confrontá-los de igual para igual usando o que temos de melhor, que é a capacidade individual e coletiva.



FRASE "QUE VENHA O PEÑAROL"
– Que venha o Peñarol porque é o jogo que o Abel volta (risos). Médicos disseram que eu poderia dar treino na terça, falei: "Vamos negociar" (risos). Pude ficar em casa domingo e hoje dar treino. Eu não poderia perder esse momento importante, você vai olhar para a torcida e não vai ver um lugar vazio. Não gostaria depois de ter criado esse cenário de momento bom, ter participado dessa construção, nesse jogo tão importante ficar de fora. Papai do céu foi muito generoso comigo.

VINÍCIUS E BILL
– Naquele momento não tinha precisão exata, tinha nas minhas notas a equipe que ia jogar, as substituições que faríamos ganhando ou perdendo... Claro que às vezes acontecem imprevistos, o Vasco teve dois jogadores com contusão, mas não tinha percebido que naqueles 20 (relacionados) tinham oito da casa. O Vinícius e o Bill, esses garotos aí se não se deslumbrarem, se tiverem gestão de carreira... Porque empresário todo mundo tem, mas gestão de carreira tem pouco. Eu tenho sorte com esse meu olho nesse aspecto. Tomara que sigam em um caminho bom, aqui temos jogadores com carreiras internacionais, que eles possam seguir esses exemplos.


Fonte: https://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/abel-brinca-com-treinamento-aberto-em-sua-volta-ao-trabalho-e-um-grupo-espetacular-de-trabalhar.ghtml

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